A associação italiana de pais de soldados em serviço militar pediu a retirada imediata dos militares colocados nos Balcãs. A Angesol considera que «manter os militares na zona seria um acto criminoso».
A associação italiana de pais de soldados em serviço militar (Angesol) pediu a retirada imediata dos militares colocados nos Balcãs devido ao risco de novos casos de contaminação por urânio empobrecido.
A Angesol considera que «manter os militares na zona seria um acto criminoso», ao recordar que foram cinco os soldados que perderam a vida devido a cancro depois de terem prestado serviço na região e que outros 30 continuam com tratamentos de quimioterapia.
«De facto, cada dia que passa é descoberto um novo caso de tumor que afecta os jovens que participaram nas missões de paz», afirmou segunda-feira a presidente do organismo, Amália Trolio.
«O nosso governo tem intenção de prolongar todas as missões no estrangeiro até 30 de Junho, sem saber qual será então o número de mortos e doentes», referiu.
O urânio empobrecido é utilizado pelos Estados Unidos em algumas munições, como as que a NATO empregou no bombardeamento da Bósnia, em 1994 e 1995, e depois em 1999 na Jugoslávia, incluindo a província do Kosovo, actualmente sobre o controlo de uma força multinacional, a KFOR, que depende da Aliança Atlântica.
O último caso de contaminação foi conhecido sábado quando se tornou pública a morte por cancro de Rinaldo Colombo, membro da polícia militarizada, de 31 anos, que tinha prestado serviço na Bósnia.
O seu nome junta-se aos outros quatro militares falecidos pela mesma doença, todos relacionados com missões de paz nos Balcãs, o que deu lugar à abertura de uma investigação por parte do procurador militar de Roma, Antonino Intelisano.
«Como é possível que a justiça não considere delito o silêncio da cúpula militar e governamental se esta ocultação da verdade provocar ainda mais mortes», perguntou Trolio.
O ministro italiano da Defesa, Sérgio Matarella, ordenou uma investigação sobre a relação entre os casos de militares mortos ou afectados por cancro com o uso da munição utilizada pelas tropas aliadas nos Balcãs, mas insiste que por agora «não existe motivo de preocupação».
Matarella afirmou também que não são 30 mas sim 11 os soldados que estiveram nessa região a sofrer de algum tumor, dos mais de 30 mil que prestaram serviço nos Balcãs.
A Angesol pede a todos os militares afectados e às suas famílias para denunciarem todos os casos «sem medo».