Milhares de pessoas aplaudiram hoje de pé a Orquestra Sinfónica da BBC e o fogo de artifício final do momento alto do encerramento do Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura. Uma grande experiência para a Invicta, diz Sampaio.
Sem as enchentes da abertura, até porque o frio não aconselhava saídas nocturnas, a actuação da orquestra britânica num palco montado na Praça da Relação atraiu muitos portuenses, alguns deles mais interessados no fogo de artifício anunciado para o final.
E a expectativa não foi gorada, com o público a ser brindado com efeitos pirotécnicos durante a interpretação da suite de Stravinsky «O Pássaro de Fogo», seguida de 10 minutos de fogo de artifício lançado das redondezas, primeiro da Torre dos Clérigos, que ficou toda iluminada, enquanto da instalação sonora se ouviam sinos a tocar.
O momento mais aplaudido foi o fogo de artifício original que iluminou e coloriu o «novo» Jardim da Cordoaria (renovado pela Porto 2001, SA), com destaque para as luzes brancas cintilantes que saíam dos candeeiros.
Entre as personalidades que assistiram ao fogo de artifício, estava o Presidente da República, Jorge Sampaio, que chegou à Praça da Relação uma hora depois de a orquestra ter começado a actuar.
Uma grande experiência para o Porto, diz Sampaio
Jorge Sampaio já só ouviu os últimos dos 70 minutos do concerto, que incluiu, entre outras, obras de Johann Strauss Filho (Abertura de «O Morcego»), Joly Braga Santos («Staccato Brilhante») e Tchaikowsky («O Quebra Nozes»).
O chefe de Estado considerou a mistura da música com fogo de artifício «uma maneira muito interessante, vitalizadora, para acabar o grande acontecimento que foi o Porto 2001».
«O Porto ganhou muito com isto, nacionalmente, com certeza, mas também internacionalmente. Abriu-se um espaço cultural de uma forma muito significativa, recuperou-se uma parte também muito significativa da cidade. Acho que foi uma grande experiência», salientou Sampaio, num breve balanço da Capital Europeia da Cultura.
Sobre o pós-Porto 2001, o presidente afirmou: «Agora depende dos cidadãos, mas julgo que estas coisas são irreversíveis, criam hábitos, criam procuras culturais, há respostas novas».
Um balanço «francamente positivo» para Nuno Cardoso
Para o presidente cessante da Câmara do Porto, Nuno Cardoso, o balanço do Porto 2001 é «francamente positivo», porque deixou a cidade com «um outro nível de desenvolvimento».
«Teremos é que em 2002 e em 2003 continuar a afirmarmo-nos como uma grande cidade europeia», frisou.
Os presidentes da Porto 2001, Teresa Lago, e de Roterdão 2001, Paul Nowen, e o ministro da Cultura, Augusto Santos Silva, também assistiram ao espectáculo, o vigésimo dos 25 eventos preparados para o dia de encerramento.
O primeiro-ministro, António Guterres, assistiu apenas no Teatro Rivoli à ópera «Melodias Estranhas», co-produção das duas Capitais Europeias da Cultura em 2001.
À entrada, Guterres escusou-se a responder às críticas de Cavaco Silva ao seu «abandono do barco» quando a situação do país se tornava insustentável.
«Não saí da política para alimentar polémicas e peço a todos o que já o fizeram também para que não as alimentem», afirmou.