Na Bolsa TSF de hoje ficamos a saber que prendas financeiras ofereceria João Duque, professor associado do ISEG/UTL. Bons conselhos para qualquer Pai Natal.
Neste Natal decidi oferecer prendas do Mercado de Capitais. Parece até politicamente muito correcto uma vez que se apoia o investimento produtivo, o desenvolvimento do país, o financiamento da actividade real, e se evita o tenebroso consumo.
- E o papel de embrulho, João?
Para os meus pais, sogros e tios mais velhotes umas Obrigações do Tesouro, se as conseguir! Porque, à semelhança do bacalhau, é cada vez mais difícil aos intermediários financeiros portugueses conseguirem para si lotes desse antigo fiel amigo das carteiras de títulos. Mais de 70 por cento das Obrigações do Tesouro emitidas pelo estado português são hoje tomadas pelos intermediários financeiros não residentes que apresentam dimensão ou condições que os nossos intermediários, pequenos à escala europeia, não alcançam.
- E o papel de embrulho, João?
Para as minhas filhas e para os meus sobrinhos, miúdos entre os quatro e os 11 anos seleccionei uma pequena carteira de acções da Nova Economia porque até eles serem grandes talvez algumas dessas empresas acabem por vingar e porque, parece-me, só por altura da sua maioridade prevejo que algumas delas possam distribuir algum rendimento.
- E o papel de embrulho, João?
Para a minha esposa comprei-lhe «algo». Pensei num «papel» que se parecesse, no longo prazo, com o ouro. «Algo» que subisse devagar, sem grandes descidas, pouco volátil, de rendimento quase por milagre divino garantido, isto é, um investimento que quase se ostenta em conjunto de colar e brincos na noite do «réveillon»: acções do BCP.
- E o papel de embrulho, João?
Para o meu cunhado mais dinâmico e atrevido, um artigo que ultimamente tem tido uma grande saída e que ele, à semelhança dos outros que os têm comprado, também não sabe bem o que é: «warrants» autónomos. Felizmente que teve toda a manhã do dia de Natal para, desembrulhando os pacotes dos pequenos, e metendo pilhas em tudo o que é brinquedo, ir lendo as instruções sobre o que são e quando vale a pena exercer os ditos «warrants».
- E o papel de embrulho, João?
Para a minha cunhada pensei em qualquer coisaa que pudesse lembrar Espanha em resposta à sua aficción o que, dadas as participações qualificadas nas empresas portuguesas, não tive dificuldade em escolher, antes pelo contrário. Porque, com diz «o outra», empresas cotadas em Lisboa com participação de capital espanhol há resmas delas!
- E o papel de embrulho, João?
Ainda houve na família quem sugerisse um lote de acções da Pararede para os meninos pobres dos bairros de lata, mas refutei a ideia porque não é por serem infortunados que lhes devemso agravar a tristeza e as dificuldades da vida.
- E o papel de embrulho, João?
Olha, embrulha-se tudo isto às acções da Lisnave!
Até para o Ano.