O Presidente da República garante que terá a última palavra sobre a decisão de convocar ou não eleições antecipadas, se Durão Barroso sair para a Comissão Europeia. Jorge Sampaio sublinha que não foram estabelecidos acordos.
Em Viseu, nas comemorações do Dia das Forças Armadas, Sampaio deixou uma crítica à comunicação social. «Ouvindo e lendo a comunicação social de sexta-feira à noite e de hoje [sábado] de manhã, parece que está tudo resolvido, que há um novo presidente da comissão, que há um novo primeiro-ministro e que até já há novos ministros».
«Já ouvi falar em acordos e compromissos, mas isso não existe. É caso para perguntar se alguém se lembrou que o regime constitucional português consagra a figura do Presidente da República como um garante e como alguém que tem que analisar a situação em termos de substância», sublinhou o chefe de Estado.
Sampaio acrescenta ainda que não fez uma apreciação substancial da situação, criada com a eventual saída do primeiro-ministro para a presidência da Comissão Europeia, mas refere que vai fazê-lo.
«Não está feita uma apreciação da substância da situação e tudo o que ela implica. Não me dispenso de a fazer, no momento próprio e com quem entender, ouvindo quem entender e com certeza que ouvirei bastantes pessoas sobre o assunto. É este o ponto da situação e é como tal que deve ser, realisticamente, tida em conta», afirmou.
O Presidente da República entende também que antes de se avançar com nomes para a sucessão de Durão Barroso à frente do Governo, Durão Barroso terá de ser confirmado como presidente da Comissão Europeia.
«Do ponto de vista externo, o melhor que podemos fazer para Portugal é não estarmos todos a dizer quem estará no próximo Governo e quem é o próximo ministro. Primeiro teremos que fazer algum esforço para que Durão Barroso seja designado presidente da Comissão Europeia. Isso é um ponto que honra Portugal, mas não é independente de consequências internas, que têm de ser analisadas a seu tempo, com as forças políticas e outras», concluiu.
Durão Barroso tem sido apontado como o favorito para suceder a Romano Prodi, o que implicará o seu abandono do cargo de primeiro-ministro, onde pode vir a ser substituído por Pedro Santana Lopes, vice-presidente do PSD. No entanto, se se confirmar a saída do primeiro-ministro, a oposição deverá defender a realização de eleições legislativas antecipadas.