O ano a acabar mas ainda há novidade no ar. Uma encenação de Gil Vicente que junta as suas três barcas numa só, que nos levará por uma viagem de perdição e redenção.
Se o mundo nos últimos dias parece que vai abaixo, o inferno pode ser não ter uma barca que nos salve do dilúvio.
Bem, também não é tanto assim, pelo menos até chegar o inverno propriamente dito.
A decisão foi mesmo esta. Juntar três barcas: a do Inferno, a do Purgatório e a da Glória, (claro está, de Gil Vicente) e fazermo-nos ao palco.
Miguel Abreu encenou esta ideia de três barcas, juntando o que pode juntar, sempre no trilho da «Barca do Inferno». E também com algumas ideias novas sobre os personagens. A olhar parea a malta nova que tem de estudar Gil Vicente na escola.
E destes três autos que da barca real se vão apartando, Senhor, ficou o escrito, que é coisa nova de se ver!
É claro que os figurinos, a música, o uso de microfones pelos actores, fazem deste espectáculo uma ideia nova. Mesmo levando as palavras de Gil Vicente, mas Miguel Abreu pensa que vale a pena correr o risco.
«As Barcas», viagem de vida e de morte, estreia hoje à tarde, apesar das férias. É outra das experiências, estas matinés. Estreia no Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Como o ano está de partida, dois recados: a Filarmónica de Londres vai a Faro, segunda-feira, com o ano a estrear, numa homenagem à música vienense. Em Lisboa, no Pavilhão Atlântico, também segunda-feira, concerto de Ano Novo com a Orquestra Filarmónica Portuguesa.