O anuncio do nascimento do primeiro clone humano está a provocar o cepticismo geral junto da comunidade cientifica. Daniel Serrão, especialista em bioética, considerou que esta experiência é «um perigo para a Humanidade».
Para o médico Daniel Serrão, especialista em bioética o anuncio do nascimento do primeiro bebé clonado, a verificar-se, constitui um perigo para a Humanidade.
«A aplicação dos dados das descobertas da ciência aos seres humanos, à sociedade, não pode ser deixada sem controlo», disse Daniel Serrão.
«Infelizmente, foi possível que uma série de profissionais, que deviam ter respeito pela dignidade da sua profissão, se tivessem prestado a participar nesta farsa», defendeu o especialista em bioética. «Isto é uma manipulação tosca da dignidade humana e da natureza do homem, é algo que nunca devia ter acontecido e no entanto aconteceu».
Para Daniel Serrão, a clonagem humana «é um perigo gravíssimo para a Humanidade porque o facto de se poder manipular desta forma grosseira o ser humano abre as portas para qualquer outro tipo de manipulação».
Riscos à vista
Por seu lado, o professor José Rueff, do departamento de Genética da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa disse partilhar desse cepticismo sublinhando o facto de não ter existido um acompanhamento independente da bebé alegadamente clonada.
Para José Rueff, «o êxito das experiências que conduzem à clonagem humana é baixo, isso viu-se em animais, mesmo em animais que a clonagem resultou, como é o caso de ovinos. A taxa de êxito é de um para 400».
«É conhecido nos animais em que foi feito que há depois uma quantidade de doenças, sobretudo um processo de envelhecimento que é precoce e que tem lugar nesses animais clonados», lembrou.
Para este especialista em genética, «começam a levantar-se toda uma série de sombras éticas de maior gravidade».
«É legitimo dar á luz uma criança que se sabe que vai ter uma quantidade padecimentos e de sofrimentos diversos e graves?», questionou o cientista.