O Bloco de Esquerda fez na passada sexta-feira uma análise dos resultados eleitorais. Para Francisco Louçã, a aliança do PS com Daniel Campelo provocou a queda do Governo socialista.
«O Partido Socialista fez de facto uma coligação de maioria absoluta durante esta governação. Foi a coligação dos 116 deputados incluindo o Daniel Campelo, o que produziu o colapso das contas públicas, o colapso das receitas tributárias, o colapso da reforma fiscal, o colapso da credibilidade pública. Esta maioria absoluta foi a fraqueza do Governo socialista e não foi a sua força», disse Francisco Louçã.
O líder do BE deixa desde já um aviso aos socialistas: uma aliança com o CDS/PP só pode ter um resultado. «Essa orientação é uma orientação de derrota. É uma orientação que dá de bandeja vitórias aos partidos que não teriam nunca força para ganhar».
O BE admite ainda fazer acordos pontuais com o PS, caso os socialistas vençam as próximas eleições legislativas, mas os «bloquistas» impõem algumas condições: «têm de ser objectivos precisos. Na reforma fiscal queremos uma convergência maioritária que é pontual, mas é o grande símbolo da transformação do país, na política de toxicodependência, na política de saúde e na reforma da educação».
«Nós entendemos que a política de governação deve ser feita através de prisões políticas, sobretudo quando se trata de atrelar a esquerda a uma política de centro. Foi um reformismo sem reformas que fracassou, foi uma esquerda sem paixão que morreu nestas eleições autárquicas», disse ainda Francisco Louçã.
«Nós queremos uma clarificação específica, esperamos por ela, mas queremos contribuir para ela e o nosso sinal e a nossa boa vontade é para acordos maioritários sobre os pontos fundamentais que respondam ao reforço da democracia, à crise social, à crise económica, ao desemprego, à precariedade, às exclusões e às descriminações na sociedade portuguesa», rematou o dirigente bloquista.