A Venezuela vai entrar em 2003 nas ruas, a exigir a realização de eleições antecipadas. A agitação continua, numa altura em que se fala da hipótese dos militares aproveitaram a viagem de Chavez a Brasília para tentarem um golpe de Estado.
A Venezuela continua sob tensão. Milhares de pessoas vão entrar no ano novo em manifestação, nas ruas, exigindo a realização de eleições antecipadas. Um que incentiva um possível golpe de Estado, já que Hugo Chavez deve sair do país, rumo a Brasília, para assistir à tomada de posse de Lula.
A TSF apurou que são estes os rumores que correm na capital venezuelana. É que se o presidente venezuelano ignorar a grave situação interna que se vive no seu país e partir rumo a Brasília, é provável que os militares se aproveitem dessa ausência para tentarem o golpe de Estado.
Chavez continua a passar a imagem de que os militares estão com ele, mas a verdade é que na Praça de Altamira estão já 137 oficiais e o próprio governo admite que outros oficiais estão nos quartéis, mas em desobediência. Um dado que prova que dentro das Forças Armadas a adesão ao protesto vai crescendo.
Greve e manifestações vão continuar
O certo é que opositores ao presidente Hugo Chavez não parecem desistir dos seus ideias e, mesmo com o país em greve geral há quase um mês, frisam que essa dita greve vai prosseguir e convocaram mesmo, para esta noite, uma nova manifestação.
«A greve continuará com uma determinação cada vez maior», afirmou Carlos Ortega, presidente da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela (CTV), frisando que «a 'rua' exige a partida de Hugo Chavez e estamos convictos que uma saída pacífica, constitucional e eleitoral está cada vez mais próxima».
«Nós atravessámos um ano terrível, marcado pela intolerância e pela antipatia desse governo», prosseguiu Ortega, reclamando o respeito por um referendo consultivo a 2 de Fevereiro, que dará hipótese ao povo de se pronunciar sobre a permanência de Hugo Chavez no poder.
Por sua vez, o presidente Chavez considera que o referendo só deve acontecer a meio do mandato, isto é, a partir de Agosto de 2003. Ainda assim, segundo a Constituição, Chavez deverá colocar o seu lugar à disposição se cerca de 3,8 milhões de eleitores (número com que foi eleito em 2000) se pronunciarem a favor da sua partida.