Vitorino Nemésio nasceu nos Açores, em 1901, vindo a morrer em Lisboa, 77 anos depois. Passados mais de 20 anos da sua morte, Vitorino Nemésio é um dos nomes mais considerados da literatura portuguesa.
Vitorino Nemésio nasceu há cem anos na Praia da Vitória, ilha Terceira, nos Açores, e morreu em 1978, em Lisboa.
Enquanto foi vivo tinha todo o prestígio cultural e social, mas como escritor e como poeta a projecção da sua obra era muito reduzida, mesmo nos Açores onde nasceu e que faziam parte indissociável da sua criação literária.
Passados mais de 20 anos da sua morte, Vitorino Nemésio é um dos nomes mais considerados da literatura portuguesa.
Frequentou a Universidade de Coimbra e foi professor da Faculdade de Letras em Lisboa, chegando a ensinar também no Brasil, França, Bélgica, Espanha e Holanda, participando, dessa forma, no encontro de civilizações e culturas.
Também se dedicou à televisão, tendo apresentado durante alguns anos um programa cultural «Se bem me lembro», e colaborou em jornais, de onde se destaca a direcção do jornal «O Dia», em 1975.
Mas do ponto de vista literário a sua notoriedade foi conquistada na revista «Presença».
Nemésio é hoje apontado pela crítica, tanto em Portugal como no estrangeiro, como o poeta português mais representativo deste século, depois de Fernando Pessoa.
O poeta afirmou-se por uma angústia existencial e por uma irrecusável fatalidade geográfica aliada à sua ilha no Atlântico, onde há séculos o Homem partilha o cosmos à escala da sua grandeza.
Para Nemésio o «pão do seu espírito, o sal da sua poesia, o suor da sua escrita» derivavam da Praia da Vitória, da memória e do reencontro com a ilha Terceira.
Até mesmo nos títulos dos seus livros reivindicava a sua origem afirmando-se «lusitano, insulano, angrense».
A obra
Toda esta problemática sobressai nos numerosos poemas e por vezes nos livros.
A sua obra poética é composta por «La Voyelle Promise», «O Bicho Harmonioso», «Festa Redonda», «Nem Toda a Noite a Vida», «O Pão e a Culpa», «O Verbo e a Morte», «O Cavalo Encantado», «Canto e Véspera», «Limite de Idade» e «Sapateia Açoriana».
Entre as suas obras de ficção encontra-se a obra que condensou o modo de ser e de estar açoriano, «Mau tempo no Canal» publicado em 1944.
Nas obras de ficção destaca-se ainda «Paço do Milhafre», «Varanda de Pilatos», «A Casa Fechada» ou «o Mistério do Paço do Milhafre».
Mas o escritor também se dedicou a ensaios e crónicas como «A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio», «Relações Francesas do Romantismo Português», «Isabel de Aragão», «Vida e Obra do Infante D. Henrique», «O Retrato do Semeador», e mais recentemente «Quase que os vi Viver» publicado em 1985.