Crónica de cinema: Urso de Ouro? Já temos favoritos
Começa-se a pensar em favoritos, nesta altura, quando o festival entra para os últimos dia da competição. Rose, do austríaco Markus Schleinzer, tratado sobre identidade de género, e Queen at Sea, de Lance Hammer, obra sobre os horrores do Alzheimer, perfilam-se como dois válidos concorrentes aos Ursos. O ouro também pode ir para África, para o muito bem recebido Dao, de Alain Gomis, obra que nos põe no furacão da diáspora guineense, embora ainda ninguém tenha visto o tão esperado Josephine, com Channing Tatum.
Tudo isto enquanto o elefante na sala continua a ser a defesa do festival às polémicas declarações de Wim Wenders sobre a necessidade dos cineastas não se meterem na política. Agora, surge uma carta com mais de 80 nomes importantes do cinema a protestar contra a atitude de neutralidade da Berlinale.
Quanto a filmes, Only Rebels Win, de Danielle Arbid, passou no Panorama e deixou-nos algo impávidos, mesmo sendo um filme sobre a atual pulsão do Líbano numa história de amor entre uma senhora perto dos 70 e um jovem migrante do Sudão. Cinema de tema sem tensão.
Desilusão também para uma animação, um anime japonês intitulado A New Dawn, onde se fala de ecologia, da tradição nipónica do fogo de artifício e da nostalgia da infância. Por muito que a animação seja engenhosa, algo se perde culturalmente na tradução. Ou, se calhar, o realizador Shinomyia apenas quis fazer um objeto interdito a maiores de 17 anos.
