
Gisela João
Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens (arquivo)
O sucesso, a desilusão e o regresso em festa.
Quando editou o primeiro disco em 2013, Gisela João já ia a caminho dos 30 anos. Começou por cantar na sua Barcelos natal, depois no Porto e, só mais tarde, em Lisboa. Gravou um álbum com os Atlantihda em 2009 e participou no disco do histórico Fernando Alvim "O Fado e as Canções do Alvim" em 2011 e só em 2013 se estreou em nome próprio. E foi um sucesso. O álbum homónimo de Gisela João chegou logo ao primeiro lugar do top de vendas em Portugal, foi aclamado pela crítica e Gisela ganhou prémios como o Revelação Amália ou o Prémio José Afonso no ano seguinte. De um momento para o outro a sua vida mudou completamente, "parece que entrei no país das maravilhas, sentia-me a Cinderela, toda a gente gostava de mim" mas, mais tarde, também sentiu o peso de ser "engolida" pelo sucesso.
Em 2015 quis mostrar um outro lado da cantora e montou o espectáculo "Caixinha de Música", onde cantou músicas - de outros estilos que não só o fado - escolhidas por outras pessoas (que conhecia e que desafiou a escolherem músicas para ela cantar). De Nick Cave a Amy Winehouse, de Serge Gainsbourg a Ella Fitzgerald, cantou outros artistas e brincou com a imagem da bailarina que dança, na caixinha, ao som da música escolhida por outros.
Em 2016 ousou com "Nua" e, em 2021, "Louca" apresentou "Aurora", o terceiro disco e onde, uma vez mais, o papel da mulher continuou a ser um dos temas centrais e onde a também autora Gisela João incluiu temas originais pela primeira vez nos seus trabalhos. Nem só cantora e nem só fadista.
Antes de pensar na festa dos 10 anos do álbum de estreia, Gisela João chegou a pensar "deixar a música e ir-me embora daqui". Desiludida com o meio musical acabou, no entanto, por reencontrar a inspiração e a vontade de cantar e foi já no final do ano passado que pensou organizar uma festa para celebrar os 10 anos do primeiro disco. Pretexto encontrado para a festa, a reunião acabou por ter de ser adiada para o início de 2024 que acontece agora dia 20, em Lisboa, no 8 Marvila e dia 27, no Porto, no Museu do Carro Eléctrico.
O convite é o de entrar no mundo de Gisela com uma exposição de fotografias, figurinos e cenários com memórias destes 10 anos, espectáculo de Gisela João e, para o final, Xinobi vai transformar as "tábuas do palco" numa pista de dança a convite da amiga e artista que nunca quis ser a bailarina que só dança ao som da vontade dos outros.
