João Barradas: "O fole é a alma do acordeão"
O músico João Barradas esteve à conversa com Nuno Artur Silva no programa "A Escuta do Mundo", da TSF
De acordeão nos braços, o músico João Barradas tem atravessado universos que vão da música erudita ao jazz, numa carreira com forte projeção internacional. Com formação clássica, João Barradas explicou na TSF que foi uma "brecha de oportunidade" no mundo do jazz que lhe trouxe maior visibilidade e lhe permitiu conciliar esses dois territórios, que raramente se cruzam.
O acordeão surgiu muito cedo, ainda na infância, quando uma educadora criou um pequeno rancho no jardim-escola. O fascínio foi imediato: um mês depois de iniciar aulas de música, a professora recomendava já a entrada no conservatório, onde existia o curso oficial do instrumento.
Na TSF, o músico falou da especificidade do acordeão, que descreve como "quase uma espécie de órgão portátil", capaz de "conjugar a tessitura de um piano com uma lógica orquestral: evocando Astor Piazzolla, explicou a divisão entre o teclado esquerdo do acordeão, que poderia ser associado às cordas graves de uma orquestra, e o teclado direito, às mais agudas.
O músico sublinhou ainda que a verdadeira alma do instrumento está na respiração: "A grande qualidade do som vem do fole", garante, lembrando que o virtuosismo começa muito antes do que se passa no teclado, no modo como o instrumentista controla o ar que atravessa o instrumento.
João Barradas acompanha a Orquestra do Algarve no espetáculo "Argentina e Brasil abraçam-se: A Dança dos Ritmos do Atlântico", no Cineteatro Louletano em Loulé já este dia 23 de janeiro, onde interpretará "Aconcagua", de Astor Piazzola.
"A Escuta do Mundo" é um programa de Nuno Artur Silva, para ouvir às quartas-feiras depois das 13h00, com repetição aos sábados depois das 11h00. Sempre em TSF.pt e nas plataformas de podcast.