"Literacia não é um luxo." Plano Nacional de Leitura defende investimento nos livros como "prioridade para todos"

Paulo Spranger/Global Imagens
A comissária do Plano Nacional de Leitura reforça a necessidade de investimento nos livros para que a literatura esteja ao alcance de todos
A comissária do Plano Nacional de Leitura (PNL), Regina Duarte, reafirmou, esta sexta-feira, a necessidade de investir nos livros e em formas de fazer crescer o prazer da leitura.
Em declarações à TSF, Regina Duarte considera que o tema tem de ser "uma causa nacional", uma vez que traz "benefícios cognitivos, como nenhuma outra atividade, tanto no desenvolvimento das crianças como nos adultos".
"A literacia não é um luxo, a leitura por prazer não é um entretenimento, são ferramentas de desenvolvimento cognitivo e estou a falar só do cognitivo porque há também a questão social, cultural, emocional, que são fundamentais para todos nós", reforça.
No dia em que é organizada uma conferência na Gulbenkian, em Lisboa, sob o mote "Leitura: prazer ou obrigação", Regina Duarte defende que o tema tem de ser encarado como "uma prioridade para todos" e deve-se "criar espaço" para a literatura na sociedade.
"Deveria obrigar-nos a todos, como sociedade, a criar mais espaço para a leitura por prazer. É um esforço que tem de ser para todos e é nesse sentido que o investimento tem de ser maior, porque é um pilar base da nossa sociedade", explica.
Regina Duarte revela ainda o lançamento de um novo projeto, denominado Plano de Leitura em Família, que se "destina a capacitar as famílias para lerem em casa com as crianças".
A comissária do PNL admite que se encontra em diálogo com Governo para a criação de medidas que permitam que os livros "cheguem a todas as pessoas e não só algumas". Em maio, será organizado o primeiro festival de leitura em família. "Vai ser em Lisboa com o apoio da Câmara Municipal para criar precisamente consciência e sensibilização para esta importância."
Regina Duarte dá o exemplo da Finlândia, que disponibiliza 350 mil euros por ano para a compra de livros e distribuição por todas as unidades familiares. No entanto, estas são verbas que Portugal "não dispõe". "Um maior investimento permite este tipo de ações que chegam a todas as pessoas", sublinha.
