
epa07205440 President of the International Foundation for Freedom and Nobel Prize in Literature 2010, Mario Vargas Llosa, delivers his speech during the opening ceremony of the international seminar 'Great Challenges of Latin America' taking place at the Cervantes Institute headquarters in Madrid, Spain, 03 December 2018. The event gathers outstanding Venezuelan opposition leaders as well as Brazilian Government's representatives. EPA/J.P.Gandul
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O escritor vai abandonar a organização que presidiu durante três anos por discordar do apelo à libertação de independentistas catalães.
O escritor peruano Mario Vargas Llosa vai deixar o PEN Club Internacional, devido ao apoio prestado pela associação mundial de escritores ao movimento independentista catalão.
O prémio Nobel da literatura acusa o PEN Internacional de "mentiras e calúnias" sobre o Governo de Espanha a propósito do que diz ter sido uma "tentativa de golpe de Estado".
Num comunicado dirigido à presidente do PEN Internacional, a Jennifer Clement, e divulgado pelo ABC , Mario Vargas Llosa recorda que a luta da associação de escritores tem ficado marcada pela defesa dos direitos humanos, pelo que não entende o apoio manifestado a favor do movimento pela independência da Catalunha.
O escritor avisa que o centro catalão do PEN Club tem vindo a realizar uma "campanha internacional de distorção da verdade! ao apresentar Espanha como um país que atropela a liberdade de expressão e que mantém presos escritores críticos e dissidentes.
Em causa está a declaração feita na segunda-feira, em Barcelona, pela presidente e pelo diretor executivo do PEN Internacional, que pediam a libertação dos presos políticos Jordi Cuixart e Jordi Sànchez. Foi assinada por 14 clubes PEN em todo o mundo, incluindo o português
O escritor peruano lamenta que o PEN Internacional tenha abandonado a tradicional postura de imparcialidade que o caracteriza para "apoiar de forma moral e institucional um movimento racista e supremacista".
Mario Vargas Llosa foi presidente do PEN Internacional de 1977 a 1980 e até agora era presidente emérito da entidade.
José Eduardo Agualusa foi um dos muitos escritores de todo o mundo que assinaram o pedido de libertação dos independentistas catalães. A saída de Vargas Llosa não o surpreende, diz à TSF.
O escritor angolano garante que a entidade sempre teve uma postura a favor da liberdade de expressão. "A liberdade de expressão não é a que nós interessa a nós, mas também aquela que vai contra as nossas ideias", lembra. "Não consigio preceber o argumento" de Vragas Llosa.
Admitindo que o Nobel peruano é um "grande escritor", que o influenciou no plano literário, José Eduardo não concorda com a sua posição contra o movimento pela independência da Catalunha.
Decidiu assinar a declaração do PEN internacional, diz, porque "a Espanha tem presos políticos".