Nuno Duarte sobre o livro: "Não quis dar uma consciência política ao meu protagonista"
Nuno Duarte conversou com Nuno Artur Silva sobre "Pés de Barro", romance de estreia distinguido com o Prémio LeYa 2024
A narrativa do romance "Pés de Barro", de Nuno Duarte, decorre em 1962, durante a construção da primeira ponte sobre o Tejo, num bairro de Alcântara marcado pelas transformações do país e pela partida de militares para a guerra do Ultramar. No programa "A Escuta do Mundo", o autor explicou que é através de Victor Tirapicos, um jovem serralheiro que chega a Lisboa após cumprir pena por furto depois e ter roubado pão e batatas, que o livro acompanha a vida quotidiana de uma comunidade operária. Ao posicionar-se nessa época, em que "as pessoas ainda jogavam às cartas na rua", o autor encontrou na construção da ponte o elemento que lhe permitiu articular as diferentes dimensões das histórias que queria contar.
Partindo da investigação histórica e de relatos que lhe chegaram por via familiar, Nuno Duarte procurou construir no protagonista Victor Tirapicos uma personagem representativa da experiência comum de muitos portugueses à época. "A maior parte das pessoas nem pensava nisso", afirma, referindo-se à ideia de uma consciência política ativa durante a ditadura: "Acho que teria sido muito mais preguiçoso fazê-lo ativo politicamente", e invoca como inspiração a personagem Tom Joad, protagonista da obra "Vinhas da Ira" de John Steinbeck.
"A Escuta do Mundo" é um programa de Nuno Artur Silva, para ouvir às quartas-feiras depois das 13h00, com repetição aos sábados depois das 11h00. Sempre em TSF.pt e nas plataformas de podcast.