
O ponto central do programa é o espetáculo de teatro “Amílcar Geração”, um monólogo do ator Ângelo Torres com texto de Guilherme Mendonça
Bruna Polimeni
No centenário do nascimento de Amílcar Cabral, Coimbra é palco de um conjunto de atividades que pretendem homenagear e divulgar o legado do líder do movimento de libertação da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. O espetáculo de teatro “Amílcar Geração” foi o ponto de partida para este ciclo
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Homenagear e divulgar o legado de Amílcar Cabral. São os objetivos do ciclo "Amílcar Geração e Comemorações em Coimbra do Centenário de Amílcar Cabral" que tem Coimbra como palco até ao dia 13 de setembro.
“Há este duplo objetivo: de homenagem, por um lado, de mostrar que nos lembramos bem e que damos a devida importância ao contributo de Amílcar Cabral. Mas também divulgar junto das novas gerações para que perdure enquanto referência e motivo de inspiração que é para todos nós, aqueles que acreditam nos princípios da liberdade, da autodeterminação dos povos, da luta contra o fascismo, contra o colonialismo”, assinala Pedro Rodrigues, produtor da companhia de teatro Escola da Noite e membro da Cena Lusófona.
Este ciclo é uma iniciativa da Escola da Noite e da Cena Lusófona, em parceria com 14 entidades. O programa prevê atividades diversas que incluem teatro, música, apresentação de livros, debates, mas também cinema e exposições. Segundo Pedro Rodrigues, a oferta variada deste programa permite também dar conta da “diversidade dos contributos” de Amílcar Cabral.
“Porque vamos falar do Amílcar Cabral combatente, necessariamente, mas também do Amílcar Cabral pensador, teorizador. Do Amílcar Cabral que dava tanta importância à cultura e à educação para a construção do seu novo país, da Guiné-Bissau independente. O programa mostra também aquela que era uma grande preocupação do Amílcar Cabral que era desde logo não confundir o regime fascista que oprimia Portugal com o povo português e o seu desejo de que, após as independências, em particular de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, os povos destes países pudessem ser amigos”.
O ponto central do programa é o espetáculo de teatro “Amílcar Geração”, um monólogo do ator Ângelo Torres com texto de Guilherme Mendonça. Sobe ao palco do Teatro da Cerca de São Bernardo no dia 12, às 19h00, e no dia 13, às 21h30.
Segundo Pedro Rodrigues, este espetáculo “foi o ponto de partida para toda esta iniciativa” depois de, há mais de um ano, Ângelo Torres ter manifestado vontade de o apresentar em Coimbra.
“Nós aceitámos de imediato porque nos interessava acolher esse espetáculo em Coimbra e ficou agendado, há mais de um ano, a sua apresentação em Coimbra precisamente para 12 de setembro de 2024, o dia em que Amílcar Cabral faria 100 anos. Foi a partir daí que nós decidimos alargar o programa e construir este ciclo”, assinala.
Pedro Rodrigues destaca ainda, dia 11 de setembro, o concerto de Nené Pereira. “É muito pouco frequente termos a possibilidade de termos artistas guineenses a atuar em Coimbra. Quisemos aproveitar este pretexto para convidar a Nené Pereira, uma das vozes mais importantes da música guineense atualmente, para vir dar um concerto a Coimbra”.
Apenas estes dois espetáculos são de entrada paga. Segundo Pedro Rodrigues, 50% da receita de bilheteira vai ser oferecido para a produção de um documentário, em fase de projeto, sobre a vida de Amílcar Cabral e a história do movimento de libertação da Guiné-Bissau pelos realizadores Flora Gomes e Sana Na N’Hada. Para este projeto tem estado, este ano, a decorrer uma angariação de fundos. “Decidimos associar-nos simbolicamente a esse projeto", assinala o produtor que recorda que os dois realizadores faziam parte de um grupo que, no final dos anos 60, foi enviado para Cuba para aprender cinema para depois documentar a luta de libertação do país. “Amílcar Cabral foi assassinado em 1973. Esse projeto acabou por nunca se concretizar e, hoje, Flora Gomes e Sana Na N’Hada propõe-se a realizar o documentário que nunca foi feito”, acrescenta.
Neste ciclo, no capítulo dos documentários, vão ser exibidos os filmes “Guiné-Bissau: da memória ao futuro”, de Diana Andringa (dia 7); “As duas faces da guerra”, de Diana Andringa e Flora Gomes (dia 9); “CONAKRY”, de Filipa César, e “O Regresso de Amílcar Cabral”, de Djalma Fettermann, Flora Gomes, José Bolama, Josefina Crato e Sana Na N’Hada (dia 10).
No Teatro da Cerca de São Bernardo podem ser ouvidos fragmentos da Rádio Libertação, emissora radiofónica do PAIGC e o público pode também assistir ao filme realizado entre 1970 e 1971 pelo finlandês Mikko Pyhälä nas regiões libertadas da Guiné-Bissau.
Na Sala Jorge Pais de Sousa da Cena Lusófona, o Partido Comunista Português expõe a brochura que reproduz a reportagem radiofónica feita por Aurélio Santos para a Rádio Portugal Livre, em 1971, também nas zonas libertadas da Guiné-Bissau.
