Casa onde Eça de Queirós viveu na infância vai ser recuperada

A autarquia de Aveiro anunciou esta terça-feira que chegou a acordo com os proprietários para recuperar parte da casa e transformar o espaço num polo museológico.

A casa onde Eça de Queirós passou parte da infância com os avós está localizada em Verdemilho, Aveiro.

O acordo permite aos atuais detentores da propriedade aproveitar parte do terreno para edificar um restaurante, loja de conveniência e posto de abastecimento de combustível, à face da EN109, num investimento com projeto já aprovado pela Câmara de Aveiro e em fase de licenciamento.

"É uma grande obra, um investimento grande como se vê pela taxa que vai pagar de 170 mil euros, e que vai induzir atividade económica naquela nossa zona do município", comentou o presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves.

Em relação à casa que pertenceu a Joaquim José de Queiroz, avô do escritor Eça de Queirós, onde este passou parte da infância, o estado de ruína leva a que já somente seja possível recuperar a fachada. Mesmo esta foi adulterada devido à colocação de mais um piso e à retirada do brasão de família, que se encontra depositado no Museu de Santa Joana, tendo a autarquia a intenção de a recuperar e devolver à traça original.

No local deverá ser feito um espaço museológico dedicado ao conselheiro Queiroz e a Eça de Queirós e erigido um monumento ao escritor nas proximidades, na nova rotunda do Botafogo, da EN109.

Ao longo dos anos, o estado de degradação da casa de Verdemilho onde viveu Eça foi motivo de várias chamadas de atenção, quer pela Associação de Defesa do Património da Região de Aveiro (ADERAV), quer em artigos na imprensa local e mesmo um abaixo-assinado promovido por um grupo de estudantes.

Chegou a ser anunciada a aquisição do imóvel pela câmara, que elaborou um projeto para a sua recuperação e transformação num centro de estudos queirosiano, o qual previa a criação de uma biblioteca, museu, sala de exposições, sala de leitura, auditório e bar.

As negociações com os proprietários arrastaram-se durante vários anos e chegou a ser celebrado um protocolo, pelo qual cediam a casa à câmara e esta viabilizava um conjunto de construções no terreno circundante, mas dificuldades financeiras da autarquia e a crise imobiliária levaram a que não tivesse seguimento.

Já no atual executivo, foi feito um novo entendimento, que levou à aprovação pela câmara do Estudo Urbanístico da Área Envolvente à Rotunda do Botafogo, "garantindo a sustentabilidade das operações urbanas perspetivadas e a preservação dos valores culturais".

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