Diretor artístico de Serralves demite-se devido a exposição fotográfica restrita

João Ribas apresentou a demissão devido à imposição de restrições etárias numa exposição de Robert Mapplethorpe.

O direitor artístico do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, João Ribas, apresentou esta sexta-feira a demissão do cargo. Na origem da decisão estará a imposição de uma restrição etária - só para maiores de 18 anos - a parte de uma exposição fotográfica de Robert Mapplethorpe.

A TSF confirmou esta demissão através de fonte oficial de Serralves, que acrescentou que a instituição não comenta, para já, esta demissão.

A exposição em causa reúne perto de 180 imagens, que percorrem toda a carreira de Mapplethorpe. Há retratos de Richard Gere, de Iggy Pop e de muitos outros, como a amiga e cantora Patty Smith, mas também imagens sexualmente explícitas.

Esta exposição foi inaugurada com menos fotografias do que as que tinham sido inicialmente anunciadas por João Ribas. Segundo o JN , estas fotografias não foram expostas por não existir espaço suficiente nas salas destinadas à exposição e não por decisão da administração. Em declarações ao Público , que avançou a notícia, João Ribas explicou não ter condições para continuar a ocupar o cargo.

Na quinta-feira, João Ribas tinha acompanhado o repórter da TSF, Rui Tukayana, numa visita precisamente a esta mostra de fotografia. Durante esta visita, o diretor artístico demissionário explicou que não cabe a Serralves condicionar o que os visitantes veem e que essa é uma escolha do público. O sexo é um tema constante em toda a exposição e em todas as salas há nudez e temas homoeróticos, sendo que uma delas é mesmo dedicada ao sado-masoquismo. À entrada há avisos para o conteúdo explícito e até a fundação Mapplethorpe chama a algumas dessas imagens "desafiantes".

"A função do museu é representar as complexidades do nosso tempo e é fazer isso com bom senso e dando oportunidade a todos de poderem ver a exposição", disse João Ribas.

Durante esta visita, João Ribas defendia que esta era uma exposição que representaria uma mais-valia para o museu, adiantando que não foi organizada a pensar no pudor mas sim na importância de "um artista que foi mostrado em museus pelo mundo inteiro, obras que são absolutamente fundamentais na história da arte e que são vistas por centenas de milhares de pessoas".

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