Cultura

Mafalda Veiga: 30 anos na música, na alma e na pele

Não é fácil encontrarmos autoras e cantoras portuguesas com 30 anos de carreira e Mafalda Veiga confessa que se o conseguiu foi pela teimosia, pela determinação e pela independência no processo musical.

​​​​​São 30 anos para comemorar mas a história musical de Mafalda Veiga começou muito antes da estreia em disco com Pássaros do Sul, em 1987. Tinha 8 ou 9 anos quando o pai lhe ofereceu uma guitarra e foi com um tio, que tocava guitarra de fado, que começou a dar os primeiros passos numa carreira que, quis o destino (ou Mafalda Veiga), que não continuasse pelos fados de Alfredo Marceneiro que primeiro aprendeu e chegou a cantar.

A guitarra serviu no entanto para juntar amigos durante a adolescência mas, por essa altura, não parecia ser também o caminho de Mafalda Veiga. Queria ser pintora. Melhor, queria ser artista, mas só mais tarde percebeu que na tela em branco haviam de nascer notas e acordes e cores e imagens, não para pendurar numa parede, mas para encher as salas, os carros e as vidas de muitas pessoas.

Ainda não tinha acabado a licenciatura na Faculdade de Letras de Lisboa quando foi editado "Pássaros do Sul", o primeiro disco da jovem e tímida Mafalda Veiga. A partir do final de 1987 passou de observadora de tudo o que a rodeava, para escrever notas e canções, para a observada e cada vez mais conhecida autora e cantora de "Planície", "Restolho" ou "Velho".

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Logo em 1988 gravou "Cantar" e depois mais sete discos até ao último "Praia" (de 2016), contando com "Lado a Lado" disco partilhado em 2007 com João Pedro Pais e "Zoom", trabalho de 2011 onde recriou algumas das suas canções mas com sonoridades eletrónicas a suportar os seus conhecidos ambientes acústicos.

Não é fácil encontrarmos autoras e cantoras portuguesas com 30 anos de carreira e Mafalda Veiga confessa que se o conseguiu foi pela teimosia, pela determinação e pela independência no processo musical. Repudia a falta de liberdade de espírito na sociedade machista em que ainda vivemos, com os papéis de homem e mulher ainda muito marcados, mas acredita que é um processo que está em transformação e que as mulheres vão ganhando mais espaço, inclusive na música.

Antes da subida aos palcos do Coliseu do Porto e do Campo Pequeno para comemorar três décadas de música, Mafalda Veiga foi brindando os fãs com novas versões de músicas suas bem conhecidas e com três dos convidados dos espetáculos de 30 anos de carreira. Com Miguel Araújo regravou "Planície", com Jorge Palma "Imortais" e com Rui Reininho "Praia". Palma e Reininho vão estar com Mafalda Veiga nas duas salas, Miguel Araújo vai atuar no Porto e Tiago Bettencourt é o terceiro convidado em Lisboa.

Depois Mafalda Veiga promete continuar com música que toque a alma e a pele. É essa a sua marca há 30 anos.

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