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"Reciclar Rocks". Um festivaleiro também recicla

Na edição deste ano do NOS Alive, a Sociedade Ponto Verde volta a marcar presença no recinto e quer sensibilizar os festivaleiros para a importância de separar o lixo.

Após ter sido o primeiro festival de música a fazer uma parceria com o Centro de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental - com o objetivo de promover a sustentabilidade e de dar visibilidade aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU - o NOS Alive quer, em 2018, dar mais um passo no caminho da sustentabilidade.

Não será, por isso, de espantar que, no recinto do festival - mais precisamente numa rua que em muito se assemelha a uma qualquer rua de um bairro típico da cidade de Lisboa -, haja um espaço onde é possível aprender a reciclar. "Reciclar é cool e é para todos", diz à TSF Teresa Cortes, uma das responsáveis da Sociedade Ponto Verde (SPV), que chega ao festival com uma ideia bem vincada: "Reciclar é uma coisa que é muito dos dias de hoje e que deve estar muito conectada com os estilos de vida atuais".

Para a edição deste ano do NOS Alive, no Passeio Marítimo de Algés, a entidade gestora de resíduos de embalagens traz a campanha "Reciclar Rocks", que, além de sensibilizar para a importância de separar o lixo, vai permitir que os festivaleiros possam fazê-lo sem terem de percorrer vários metros por entre a multidão.

"Alguns promotores circulam pelo recinto com mochilas ecoponto para facilitar ainda mais o ato de separação. Se não houver ecoponto perto, pode facilmente separar aí as embalagens usadas", refere Teresa Cortes, que apresenta ainda o espaço da SPV. "Recriámos um ambiente de cozinha, para desafiar os participantes a separarem as suas embalagens usadas, mas com uma cozinha virada de pernas para o ar, para elevar a fasquia do desafio e tornar o momento mais divertido".

O momento, sublinha, fica guardado para a posteridade: "Quem participa aprende a separar as embalagens e pode tirar uma fotografia animada para mais tarde recordar. O importante é ter sempre a mensagem da separação presente, para depois, no recinto, colocarem as embalagens que usam nos locais adequados".

Já este ano, na zona da restauração, o NOS Alive conta com mesas e cadeiras que, em tempos, foram lixo utilizado pelos festivaleiros, como refere o diretor do festival, Álvaro Covões: "Transformámos o lixo que produzimos no festival em mobiliário urbano, é mais um passo no nosso posicionamento".

Bordalo II. Um artista a jogar com o desperdício no Palco Comédia

Ao entrarmos no espaço do Palco Comédia, o ambiente é dúbio. Por um lado, ouve-se o chilrear dos pássaros e outros sons da natureza, mas, à medida que percorremos o relvado sintético de cor verde, deparamo-nos com um palco em que nos é apresentado um verdadeiro choque civilizacional. É que, no palco, além de materiais que simulam uma vegetação densa e pontuada por animais, há também pneus, quilos e quilos de garrafas de plástico e, até, uma viatura da polícia virada ao contrário.

No ecrã, que servirá de cenário e suporte a vários artistas ligados à comédia, vão surgindo palavras como "desumano", "desfaz", "desacata" ou "desabafa". Mais confusos? Trata-se apenas de mais uma das criações de Bordalo II, um artista cujo trabalho é marcado pela utilização de lixo e desperdício para criar obras de arte, e que, a convite do diretor do NOS Alive, Álvaro Covões, foi desafiado a transformar o Palco Comédia - por onde vão passar nomes como Cebola Mol, Rui Sinel de Cordes, Guilherme Duarte ou Diogo Batáguas - numa verdadeira "peça de arte". Com tudo o que de artístico e político isso implica.

"Isto representa o contraste entre as primeiras gerações que viveram num ambiente de harmonia e as nossas, que representam um futuro catastrófico", refere, num vídeo de apresentação, o artista Bordalo II.

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