
Paulo Spranger / Global Imagens
"É uma carta de amor" enviada pelo cineasta João Botelho. O destinatário é Manoel de Oliveira. Ou melhor, "o trabalho de Manoel de Oliveira". Um documentário que é também "o pagamento de uma dívida".
João Botelho diz que Manoel de Oliveira "ensinou-me muitas coisas". Explicou-lhe o que era a economia do cinema e disse-lhe: "não tem dinheiro para filmar a carruagem? Filme a roda. Mas filme bem a roda".
"O cinema, Manoel de Oliveira e eu" estreia esta quinta-feira. João Botelho é o narrador do filme, no qual recorda como conheceu Manoel de Oliveira, quando ainda andava na Escola de Cinema, enaltece o pensamento do realizador e comenta excertos de alguns dos filmes que mais estima, como "Amor de perdição", "Vale Abraão" e "Palavra e Utopia".
Dentro deste documentário há um filme, uma história, que Manoel de Oliveira nunca filmou, um argumento na gaveta a que chamou "A prostituição ou a mulher que passa", João Botelho filmou esta história, uma história do Porto e chamou-lhe a "Rapariga de Luvas".
Em abril, quando o filme passou no Indie Lisboa, João Botelho contou à Lusa que quis demonstrar a admiração e paixão pelo cinema de Manoel de Oliveira e também lutar contra o esquecimento, um ano depois da morte do cineasta.
Além de excertos de filmes de Oliveira, cenas emblemáticas da história do cinema português, o documentário conta ainda com uma cena de "Conversa acabada" (1981), a primeira 'longa' de João Botelho, na qual Manoel de Oliveira interpreta o papel de um padre.
"Como um pai, ensinava-me cinema", comenta João Botelho, na narração do filme.
João Botelho, 67 anos, autor de filmes como "Um adeus português", "A corte do norte", "Conversa acabada" e "Filme do desassossego", prepara uma longa-metragem a partir de "Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto.