António Simões recorda golo e final contra Real Madrid e deixa mensagem aos jogadores do Benfica: "Não tenham medo"

Créditos: Mário Vasa (arquivo)
Benfica e Real Madrid voltam a cruzar-se na noite desta quarta-feira, na Liga dos Campeões, mais de 60 anos depois. As histórias desses jogos, um deles que até deu o título europeu às águias, não se apagam da memória de António Simões
"O Benfica é a única equipa do mundo que, por duas vezes seguidas, marcou dez golos ao Real Madrid", é o que começa por sublinhar António Simões, assim que é convidado pela TSF a recordar os históricos embates com os merengues nos anos 60.
António Simões era o mais jovem da equipa que derrotou os espanhóis por duas vezes na competição milionária, por 5-3, em 1962, e por 5-1, em 1965. O 5-3 foi na antiga final da Taça dos Campeões Europeus, uma noite história para o Benfica e para Simões. "Esses 18 continuam a ser até hoje a idade do mais jovem campeão europeu de sempre. Ninguém mais repetiu", aponta.
Um miúdo de 18 anos que, na altura, defrontava lendas do futebol: "Di Stéfano, Puskas, Gento, Santamaría, etc. E, depois, aparecem uns portugueses a combinar com África, não podemos de maneira nenhuma esquecer essa gente... chegam lá e vencem uma equipa que só o Barcelona o tinha feito no ano anterior."
Ao intervalo, o Benfica perdia, mas a palestra do treinador Béla Guttmann ajudou a virar o jogo, conta à TSF o antigo futebolista: "Fez uma palestra simplesmente extraordinária, nunca mais me esqueci na vida. O Real Madrid está cansado, dizia ele - está velho, velho. Nós, mais jovens, nós correr muito, nós com energia, nós ganhar, senhores nós ganhar! - Imagine o que é ter 18 anos e um ouvir um senhor treinador dizer isto tudo. Aquilo vira-se completamente ao contrário, o Eusébio faz dois golos, um de livre extraordinário e ganhámos 5-3."
Este 5-3 foi em 1962. Três anos depois, o Benfica voltou a cruzar-se com o Real Madrid, desta feita nos quartos de final da Taça dos Campeões Europeus e venceu por 5-1 na Luz. António Simões marcou.
"Alguém rechaçou a bola para fora da área, a bola veio direito a mim e eu só tenho hipótese de a disparar conforme vem. Apanho-a no ar, com o pé esquerdo, dei-lhe um charuto do diabo que a bola, pumba, entrou. Se me perguntarem se era isso que eu queria fazer, eu não sei. Eu só queria chutar à baliza e ela entrou", recorda o antigo craque.
Esta quarta-feira, esta lenda do clube gostaria de sentar-se com cada um dos jogadores do Benfica e deixar-lhes uma palavra de motivação. O que diria Simões a cada um deles?
"Eu vou defrontar o Real Madrid. Um dos colossos e com maior história na competição. Então é uma grande oportunidade para eu jogar, para jogar bem e até para eu ganhar. Então vou-me entregar completamente, de alma e coração. Ganhando, vou ficar na história, se não ganhar, apenas é para lembrar. Então é preferível ganhar para se ficar na história. Façam isso, não tenham medo."
Fica dado o conselho.