Benfica-Real Madrid: alegado caso de racismo "é mais difícil" de provar quando o agressor é um jogador

Créditos: Patrícia de Melo Moreira/AFP
Professor de direito do desporto diz, na TSF, que, "apesar de se querer célere", não conta com uma decisão para "breve" em relação ao caso no Benfica-Real Madrid
O professor de direito do desporto da Universidade Lusíada Lúcio Correia reconhece que o Benfica e o jogador argentino Prestianni podem ser punidos, na sequência do alegado caso de racismo ocorrido com Vinícius Júnior, esta terça-feira, no Estádio da Luz, durante o jogo contra o Real Madrid. Ainda assim, considera que "é mais difícil quando é o atleta" o agressor porque "ou há provas inequívocas ou então dificilmente se consegue chegar a uma conclusão".
"Quando é o público é mais fácil, porque é audível. Quando é o atleta a coisa fica mais difícil porque ou há provas inequívocas ou então dificilmente se consegue chegar a uma conclusão. O atleta pode ser punido e essa punição terá no mínimo dez jogos de suspensão, segundo o que está no regulamento. Mas pode até ser superior, dependendo dos factos e da gravidade dos mesmo que pode estar em causa", explica à TSF.
Lúcio Correia dá conta que "o clube também pode, ou não, instaurar um processo interno e laborar contra o jogador" por existir "violação de regras de ética desportiva" que o atleta está obrigado a cumprir. Por outro lado, também existe a eventualidade de um processo-crime, pois "qualquer comentário de teor racista, tendo este facto sido praticado em Portugal, será o Ministério Público que poderá dar origem a um processo criminal".
Também o clube pode vir a ter consequências, caso se confirme que "os adeptos praticaram atos contra qualquer um dos agentes desportivos, como atletas, ou o atleta em causa, dirigentes ou árbitros".
Quanto ao tempo que o processo levará até que sejam definidas as conclusões finais, o professor de direito do desporto não arrisca uma data: "Não há propriamente um prazo, não será bem uma semana ou duas."
"Apesar de se querer célere, há que ouvir tanto a versão do Benfica como a do Real Madrid e todos os agentes envolvidos (árbitro, delegado ao jogo, forças de seguranças, imagens). Existe muita coisa para apurar e para esclarecer. Não conto com uma decisão para breve", afirma.
A UEFA já abriu uma investigação e nomeou um inspetor de Ética e Disciplina para averiguar a eventual existência de comportamentos discriminatórios no encontro.
O árbitro francês François Letexier interrompeu o jogo e acionou o protocolo antirracismo, retomando a partida quase dez minutos depois.
Após o encontro, Prestianni negou qualquer insulto racista a Vinícius Júnior, enquanto o internacional brasileiro e vários jogadores do Real confirmaram a ofensa racista por parte do argentino.
