Centro de alto rendimento de canoagem submerso: federação confessa "consternação" perante "grau de destruição"

Perante a dimensão dos impactos do comboio de tempestades que afetou o município, a federação apela ao apoio do Governo
Créditos: Federação Portuguesa de Canoagem
À TSF, o presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, Ricardo Machado, sublinha que ainda não é possível ter uma real noção dos estragos provocados, ainda que antecipe prejuízos "avultados". E lembra que o local irá receber o Campeonato Europeu de Canoagem de Velocidade já no mês de junho, havendo já "uma série de investimentos" realizados
O centro de alto rendimento de canoagem de Montemor-o-Velho sofreu prejuízos avultados com as cheias que nas últimas semanas têm atingido o baixo Mondego. A infraestrutura usada pelas seleções nacionais de canoagem como centro de estágio está, por esta altura, submersa e sem possibilidade de acesso.
Em declarações à TSF, o presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, Ricardo Machado, mostra-se "consternado" e "preocupado" perante o grau de destruição que, "mais uma vez", atingiu o centro de alto rendimento.
"Infelizmente, nos últimos anos tivemos em 2018 a Leslie, em 2019 tivemos umas grandes cheias e agora, em 2026, com estas intempérie todas, voltamos a ser muito afetados naquilo que é a nossa casa, o nosso centro de preparação nacional", lamenta.
Apesar de falar numa "sensação de alívio" devido ao desagravamento das condições meteorológicas, ressalva que ainda vão demorar "uns dias largos, talvez semanas", até que a água que inundou os campos do Mondego possa sair "para o leito normal do rio". Também só nessa altura, completa, será possível avaliar a real dimensão dos estragos provocados no centro de alto rendimento.
Ricardo Machado nota ainda que o município é o proprietário da infraestrutura - ainda que o seu maior utilizador seja a Federação Portuguesa de Canoagem - e que, depois da passagem da depressão Kristin, foi feito um levantamento que dava conta de "estragos significativos", sobretudo na torre de controle, cobertura e barreira de vento. No entanto, a estes vão agora somar-se os impactos das novas cheias.
A Federação Portuguesa de Canoagem apela, por isso, ao apoio do Governo para enfrentar os prejuízos que estima virem a ser "muito avultados", admitindo que o município tem outros casos prioritários em mãos.
"Só quando a água baixar é que vamos conseguir avaliar o que serão os estragos. (...) O município terá de ter esse apoio [do Executivo] para poderem voltar a pôr a normalidade naquela que é uma infraestrutura estruturante para a modalidade e para o país", assinala.
O local vai receber o Campeonato Europeu de Canoagem de Velocidade já no mês de junho, uma prova que servirá de qualificação para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Los Angeles. A pouco mais de três meses da segunda maior prova do mundo da modalidade, há uma "série de investimentos".
"Centenas e centenas de alojamentos estão reservados, estão pagos. As equipas têm bilhetes e viagens compradas para Portugal e teremos obrigatoriamente de conseguir nestas próximas semanas fazer um plano de ação para voltar a pôr a normalidade", urge.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal continental na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

