Portugal estreia-se no Europeu de andebol e quer voltar a fazer história: "Vamos lutar com todas as nossas forças"

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Rui Silva, capitão da Seleção Nacional, falou com a TSF sobre os objetivos e dificuldades. Portugal quer voltar a surpreender, depois do quarto lugar no Mundial do ano passado
O andebol em Portugal é cada vez mais um fenómeno. Seja a nível de clubes, com as campanhas histórias do Sporting, seja a nível de Seleção, com os resultados em crescente nas grandes competições. Hoje começa mais uma prova em que a Seleção Nacional quer voltar a surpreender toda a gente e a derrubar barreiras. Em 2020, Portugal fez um sexto lugar no Europeu e no ano passado chegou a um inédito 4.º lugar no Mundial. Agora, o "céu é o limite" para a ambição lusa.
Rui Silva, capitão da Seleção Nacional, considera, à TSF, que o Campeonato da Europa é a competição mais difícil, mas Portugal entra sem medos de se assumir como favoritos nos dois primeiros jogos com a Roménia e Macedónia. Depois, chega a Dinamarca, uma das melhores equipas do mundo que eliminou Portugal na meia-final do Mundial. Mas mesmo aí, o capitão português acredita que pode haver surpresas e vencerem pela primeira vez os dinamarqueses.
Começou esta caminhada no Europeu, para já a Roménia, o que é que estão a preparar, como é que o grupo se tem sentido e o que é que nós, adeptos e portugueses, podemos esperar?
É o primeiro jogo, é um jogo importante porque o primeiro jogo acaba sempre por ter aquele nervosinho inicial, de início de competição, mas sabemos que a Roménia é um adversário duro, é um adversário que vai nos querer complicar e vai querer mostrar também um bocado a sua qualidade e nós temos que fazer o oposto, que é lutar contra eles, sabemos do nosso favoritismo e as pessoas podem esperar uma seleção com muita vontade de ganhar todos os jogos e de fazer ainda mais história e começa já amanhã contra a Roménia.
A pressão é maior para vocês, tendo em conta os resultados que têm tido, também a maior visibilidade que esses resultados dão, sentem mais responsabilidade de fazer cada vez melhor?
Nós quando começámos a ir às grandes competições a responsabilidade não existia, não é pressão e o facto dela existir é sinal que os resultados têm sido bons, é sinal que as pessoas se redem cada vez mais em nós e isso traz responsabilidade, traz pressão, mas o desporto também é feito disso mesmo e nós para querer estar a lutar por coisas boas e resultados históricos temos de saber lidar com ela e acho que neste momento o grupo está preparado para isso, está preparado para ter mais responsabilidade e para lidar com esta pressão que faz parte.
Primeiro a Roménia, depois têm a Macedónia e depois têm esse reencontro com a Dinamarca, desta vez em casa da Dinamarca, o que é que torna esta Dinamarca uma seleção tão difícil em comparação com as outras e o que é que vocês também já aprenderam, especialmente desde o Mundial, que pode ajudar a contornar isto?
É um bocado de tudo, os resultados falam por si, a qualidade individual, a qualidade coletiva, toda a envolvência que o andebol tem no próprio país a nível cultural. O que faz com que o andebol seja, provavelmente, a segunda maior modalidade do país e as pessoas estão muito envolvidas naquilo que é o andebol. Nós com a nossa qualidade, o facto de já termos feito resultados que não se esperava e sabemos que é possível ganhar à Dinamarca. Sabemos que depois do jogo que tivemos, que conseguimos fazer melhor do que o que fizemos, porque acaba por ter sido um resultado com uma diferença ainda significativa, mas lá está, eu acredito em nós. É importante focarmos nestes dois primeiros jogos porque são realmente importantes para aquilo que são os nossos objectivos e depois acredito perfeitamente que quando for a altura de nos focarmos no jogo da Dinamarca vamos estar preparados para dar uma boa resposta porque nós queremos muito ganhar, queremos muito ganhar, seja contra quem for e é assim que vamos entrar.
E sem medo de assumir esse favoritismo no grupo?
Não temos medo de assumir o favoritismo em relação à Macedónia e à Romênia porque é a realidade, com as conquistas que temos feito. Sabemos que com a Dinamarca eles são candidatos, um dos maiores candidatos a ser campeões da Europa, o facto de jogarem em casa, o facto de virem de um ciclo em conquistas seja de Mundial e Jogos Olímpicos. Mas lembro-me que em 2020 começámos a jogar com a França, que era a superpotência na altura e conseguimos derrotá-los, e nós nunca, mas nunca, iremos entrar, seja contra quem for, a pensar que vamos perder o jogo. Essa forma de estar não se identifica neste grupo e tem sido também essa forma de estar que nos fez superar muitos obstáculos, superar muitos adversários que provavelmente achavam que eram superiores a Portugal e agora vamos continuar a fazê-lo e quem sabe um dia poderemos derrotar a Dinamarca. Temos a convicção que pode ser no próximo jogo contra eles.
Dsta vez não têm o Diogo Rêma na baliza, ele tem sido claramente um dos destaques desta equipa, entre outros vários nomes.
Como é que têm sentido esta adaptação do Filipe Monteiro, sente-o preparado para este assumir da responsabilidade um papel tão importante?
Sim, é óbvio que as ausências, ainda para mais por lesão, custam sempre. Mesmo a nós como grupo, porque sabemos a importância que os atletas têm dentro do grupo, mas a verdade é que quem tem chegado a esta seleção tem facilidade. O facto de nós sempre falarmos da força que como grupo temos e o saudável que é pertencer a este grupo, faz com que seja fácil a adaptação, faz que as pessoas se sintam bem aqui. O objectivo é que as pessoas se sintam descontraídas, sabendo da responsabilidade que é representar Portugal, mas que se sintam à vontade para fazer aquilo que gostam e à vontade para ajudar o grupo porque precisamos de todos. Precisamos de todos, somos um grupo coeso, um grupo unido, estamos numa competição de muita exigência e todos vão ter a sua importância. Por isso, aqueles que estão aqui pela primeira vez já perceberam isso e eu acredito que se sintam muito bem com a forma de estar toda a gente.
O campeonato da Europa é o torneio mais difícil ao nível do andebol? Chega a ser mais difícil que o Mundial ou que até os Jogos Olímpicos, tendo em conta as seleções que estão neste Campeonato da Europa?
Sim, eu acredito que sim porque a exigência é grande. Nós no Mundial, acabámos por ter jogos com maior facilidade, que aqui não vão existir. Não podemos em momento algum relaxar ou baixar a intensidade porque nos próprios países joga-se o andebol, são países que têm essa cultura,. São países que também querem mostrar à Europa que têm bons jogadores, que têm qualidade, a prova disso é a quantidade de grupos muito competitivos que há. Onosso é um deles, por isso, exigência máxima e nós temos de fazer com que isso nos dê mais concentração e que estejamos mais intensos e mais preparados para os jogos.
Até onde é que sonham?
O céu costuma ser o limite. Nós temos feito uma caminhada desse nosso género de sonhar cada vez mais um bocado em relação àquilo que fizemos e nós sonhamos em fazer mais do que aquilo que fizemos em 2020, porque no Mundial temos este histórico 4º lugar, mas a nível europeu ainda temos que bater o 6º lugar de 2020 e é esse o nosso grande objetivo. Nós vamos lutar com isso, para isso, com todas as forças que nós temos e é assim que vamos estar neste Campeonato Europa.
