O presidente da Federação Portuguesa de Remo, Rascão Marques, renunciou ao mandato, que deveria terminar apenas a 31 de dezembro, queixando-se de ataques ao seu poder.
«Na sequência dos últimos acontecimentos no remo nacional, a dignidade, a integridade e a segurança pessoal dos membros da direção, foi posta em causa. A luta pela tomada da gestão da federação traduz uma completa ausência de valores éticos e morais e do que deve ser defendido, não só no desporto, mas também na vida. Embora o meu mandato só termine legalmente em 31 de dezembro, entendi renunciar nos termos do art.º 64 dos estatutos da federação», explica Rascão Marques, em comunicado.
O artigo em causa, que trata especificamente da renúncia de mandato, estabelece no seu ponto terceiro que os titulares dos órgãos sociais se mantêm em exercício de funções até à tomada de posse dos novos membros.
Enquanto não há eleições, em assembleia-geral realizada a 12 de agosto foi decidido criar uma comissão administrativa (paralelamente ao pedido de demissão do presidente e sua direção) que, entre ou assuntos complicados, tem em mãos um pedido de insolvência da federação, que será julgado a 4 de setembro no Tribunal Cível de Lisboa.
Na hora de resignar, Rascão Marques lembrou a obra feita nos oito anos em que esteve no poder, considerando que operou «uma revolução na modalidade».
O dirigente fala da conclusão da pista de remo/canoagem de Montemor-o-Velho e do Centro de Alto Rendimento do Pocinho «uma estrutura ao melhor do que existe no mundo, podendo ser também uma fonte de receita da federação, desde que bem gerida e explorada».
Rascão Marques refere também a organização dos Europeus de 2010 em Montemor-o-Velho, que acabaram por colocar a federação no «vermelho», face a uma dívida de centenas de milhares de euros que ameaça tornar a federação insolvente.
O estado e a autarquia - que sempre negaram a existência de qualquer dívida ao remo nacional - são apontados como devedores de compromissos assumidos pela modalidade.