
Tiago Margarido
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O Nacional cumpre a segunda época consecutiva na elite do futebol português, após ter colecionado três descidas à segunda Liga desde 2017. A estabilidade do clube madeirense foi encontrada com um dos treinadores mais promissores da nova geração: Tiago Margarido, responsável pela subida à I Liga em 2023/24. Inspirado por José Mourinho, o técnico natural do Porto foi dos campeonatos distritais ao principal escalão em apenas sete anos, até cumprir o sonho de enfrentar o "special one".
O que é que o fez ser treinador de futebol e como explica esta ascensão tão rápida?
Fundamentalmente, decidi desde muito cedo ser treinador de futebol. Tinha cerca de 13, 14 anos, muito inspirado pelo fenómeno Mourinho na altura, quando venceu a Liga dos Campeões pelo Porto e entretanto foi para o Chelsea. Essa figura, essa profissão de treinador, despertou-me interesse. Desde então, procurei direcionar os meus estudos para a vertente do treino, para um dia poder ser treinador.
Sabia que isso seria um caminho muito árduo e até, quem sabe, um caminho que nunca se poderia abrir, porque estamos muito dependentes das oportunidades que nos são dadas. Tentei, a par, tirar o mestrado de ensino para poder ser professor de Educação Física e fi-lo, mas a verdade é que já tinha esse "bichinho" de um dia poder ser treinador.
Comecei muito cedo, com 21 anos, na Escola Academia do Sporting de Vila Nova de Gaia, também muito precipitado por uma lesão que tive. Eu era praticante. Joguei no Boavista, joguei no Leixões... e tive uma lesão grave no joelho que precipitou um pouco aquilo que era a busca do meu sonho de ser treinador. Então, aos 21 anos, já a par da formação académica que estava a ter, enveredei pela profissão e tive essa oportunidade de começar nessa escola, onde comecei a experienciar as minhas primeiras ideias, muito diferentes das de hoje, mas que na altura faziam sentido para mim.
Entretanto, as oportunidades foram surgindo, tudo ao nível do futebol distrital. Trabalhei no Gondim-Maia, no Pedras Rubras, como coordenador e como treinador de formação. Depois abriram-se as portas do futebol sénior, onde trabalhei como adjunto do Pedras Rubras e do Oliveira do Douro.
Abriu-se depois uma porta importante: a dos campeonatos nacionais, também como adjunto na União de Leiria. A partir daí passei a ser profissional de futebol. As coisas em Leiria não correram tão bem. Eu era adjunto do mister Luís Pinto, que atualmente está no Vitória, e saímos ao fim de três meses. A situação financeira também não era boa e surgiu a oportunidade do Canelas, onde entrei como adjunto.
Subimos de divisão, gostaram do meu trabalho e surgiu a oportunidade de assumir como treinador principal, visto que o técnico da altura não aceitou o acordo proposto. Foi uma decisão muito boa. O Canelas 2010 foi o meu laboratório no que corresponde ao errar e acertar. Tivemos uma jornada de sucesso: subimos à Liga 3 e fizemos os quartos de final da Taça de Portugal, eliminados pelo Académico de Viseu. Deixámos uma marca positiva.
Depois surgiu o Varzim. Saímos a faltar dois ou três meses para acabar a época, dentro dos objetivos, mas foi uma decisão da direção. Até que surge a oportunidade do Nacional e tem sido uma história fantástica: subimos de divisão logo no primeiro ano, conseguimos estabilizar o clube na Primeira Liga, algo que já não acontecia há algum tempo.
O ano passado fizemos uma manutenção muito importante para a estabilidade do clube e este ano vamos no mesmo caminho. O objetivo é o mesmo. Estamos dentro do que foi delineado e é uma época importante também ao nível da consolidação do plantel, evitando o constante rodopio de cerca de 20 entradas por temporada.
Trabalhou com outros técnicos como adjunto, inclusive com Luís Pinto. Tem uma relação próxima com ele? O que é que conseguiu "beber" dos treinadores com quem trabalhou?
Sim, tenho uma relação fantástica com o Luís, somos visita de casa, ainda hoje temos essa relação. O Luís na altura era um técnico muito jovem, tínhamos muito sangue na guerra, porque tínhamos muitas ideias para colocar em prática. Nesse projeto que tivemos em comum saímos muito cedo, mas a verdade é que já se via que havia ali bastante talento de toda a equipa técnica, e fundamentalmente do Luís. Deu para tirar algumas ideias, algum conhecimento, porque também já era alguém avançado na altura.
Entretanto tive outros treinadores com quem aprendi: o Américo Soares, que atualmente está na China, tive o mister Milton também, o mister António Pedro, que foi o meu treinador quando eu era atleta no Leixões. Entretanto deu-me a oportunidade de poder ser adjunto dele tanto no Pedras Rubras como no Leixões, alguém com mais experiência, um "gentleman" do futebol, com um trabalho vasto ao nível do Campeonato de Portugal. Portanto foram tudo experiências importantes no sentido de poder "beber" conhecimento que me moldou e moldou o treinador que hoje sou.
Foi muito importante essa vivência com esses treinadores, mas eu acho que nós, enquanto treinadores principais, aprendemos quando somos os líderes do processo e erramos. Aplicamos as nossas ideias, erramos e aferimos em função dos erros que vamos cometendo. E como disse, felizmente tive a oportunidade de errar muito na minha carreira com direções que suportaram quando as coisas não correram tão bem, e hoje penso ser um treinador mais forte devido a essa possibilidade de poder errar e as direções confiarem na nossa equipa técnica.
Disse que pôde errar muito no Canelas 2010 e que foi o seu laboratório enquanto treinador. É um clube que na altura estava muito associado à claque dos Super Dragões, pertencente ao FC Porto. Sentiu algum tipo de discriminação em relação ao seu trabalho enquanto treinador por estar a trabalhar num clube associado a esse tema?
Na altura em que eu fui para o Canelas, essa conotação já não existia, porque já não havia elementos da claque, tirando o Fernando, já não havia mais elementos. Portanto, havia essa conotação negativa, mas quando eu assumo esse projeto já não havia essa mescla de jogadores que pertenciam à claque.
Como tal, sabíamos que essa conotação existia, e o que nós procurámos, e penso que isso até foi a nossa maior vitória, foi mudar um pouco a imagem e que passassem a falar do Canelas não por esses motivos, mas por ser uma equipa que jogava bem, uma equipa que valorizava os jogadores e que conseguia resultados desportivos de forma meritória. Na altura começou-se a falar do Canelas por esses motivos e isso foi uma das nossas grandes vitórias enquanto equipa técnica, porque uma equipa com essa conotação nunca conseguiria chegar aos quartos de final da Taça, nunca conseguiria subir à Liga 3, nem vender jogadores para níveis acima.
Portanto, conseguimos isso, conseguimos a valorização de ativos, conseguimos os resultados desportivos e, fundamentalmente, mudámos essa imagem que existia. Penso que depois da nossa passagem lá deixou de existir.
Que ideias são inegociáveis na sua equipa? Que estilo é que o define, não só ao nível de valores morais, como em termos táticos?
A minha ideia enquanto treinador só surge perante um contexto. Acho que no futebol atual o treinador tem que olhar para o que tem pela frente e montar algo consoante as características dos jogadores que dispõe, de forma a colocá-los confortáveis dentro de um plano de ação.
Obviamente, como treinador tenho as minhas preferências, mas essas preferências ficam para segundo plano e sobrepõem-se as características dos jogadores que tenho. Penso que todas as equipas que treinei ao longo destas sete épocas como treinador principal jogaram de maneira diferente, porque dispus de jogadores diferentes ao longo do percurso. A minha forma de ver o jogo e de adaptar as ideias tem muito que ver com as características do plantel.
Há depois o plano dos valores e esses sim são imutáveis. São inalteráveis mediante o contexto que temos pela frente. O "nós" tem que se sobrepor ao "eu", o espírito de grupo é sempre o mais importante e é aquilo que pretendemos fomentar desde o primeiro dia. Acho que bons jogadores ganham jogos, mas bons grupos ganham campeonatos. Portanto, uma das nossas preocupações é passar esses valores que entendemos como ideais aos jogadores desde o primeiro dia, e esses são inegociáveis.
Agora, aquilo que é a forma de jogar, as ideias para o jogo, tanto a defender como a atacar, são variáveis e só nascem quando temos um contexto pela frente, porque adaptamos sempre tudo às características dos jogadores que dispomos.
Há muitas opiniões que dizem que o Nacional não tem tantas opções como outras equipas que lutam por objetivos semelhantes. Tem o plantel que quis?
O que nós temos disponível no Nacional foi o que foi possível. Como tal, temos de trabalhar com aquilo que temos pela frente. A verdade é que o plantel tem dado conta do recado porque estamos dentro do objetivo.
Penso que em nenhum momento desta época estivemos fora do objetivo, estivemos sempre acima dos lugares de playoff. Como tal, o grupo está a dar resposta. Estou satisfeito com a evolução dos atletas, tendo em conta que tivemos que criar novamente um grupo nesta época com a entrada de cerca de 20 jogadores.
Dessa forma, estou satisfeito com a evolução que o plantel tem tido. Tem sido competitivo em todos os jogos. Não temos ganho sempre, obviamente, mas isso faz parte. O detalhe muitas vezes ditou um ou outro resultado, mas é futebol e já sabemos que as coisas são assim. Estamos confiantes e satisfeitos com aquilo que estamos a criar e temos a certeza absoluta que vamos conseguir os objetivos.
O plantel do Nacional tem uma maioria de jogadores brasileiros. São 13 em comparação com 8 portugueses. Esse mercado é prioritário para o Nacional? Há algum tipo de condicionante na captação de talentos pelo facto de ser uma equipa insular?
O facto de sermos uma equipa insular faz com que seja mais difícil contratar jogadores, porque nos tempos que correm o poderio financeiro do Nacional já não é o mesmo que era noutros tempos. Portanto, se houver um clube do continente que ofereça as mesmas condições que o Nacional, provavelmente o jogador vai optar por ficar no continente.
Não é fácil, a base de recrutamento não é fácil. E a questão do plantel ser composto maioritariamente por jogadores brasileiros penso que tem a ver com o facto de o Brasil ser um país muito grande, onde há muito talento, e o clube sempre foi muito direcionado para esse mercado. Se analisarmos a história do Nacional, percebe-se isso. O Nacional sempre apostou muito nesse mercado.
Tem a ver com haver bastante talento escondido no Brasil e prova disso são os jogadores que o Nacional projetou para o panorama do futebol português, como o Tiquinho Soares, o Adriano, o Maicon, o Rossato, o Serginho... lembro-me de vários jogadores que depois passaram por grandes em Portugal. O Nené, o Paulo Assunção... todos eles recrutados nesse mercado. É um mercado que tem dado retorno ao clube e o clube continua na mesma linha de pensamento.
Está na terceira época no Nacional. Subiu à Primeira Liga logo na primeira temporada e na segunda conseguiu a manutenção. Agora está a passar por uma sequência de quatro jogos consecutivos sem vencer e ainda assim não parece que o seu trabalho seja colocado em causa. A estabilidade que o clube lhe oferece é o mais importante para conseguir fazer o seu trabalho?
De facto, é uma realidade. Sinto-me muito privilegiado enquanto treinador por sentir essa estabilidade por parte da direção. Em nenhum momento senti qualquer instabilidade a esse nível, mesmo atravessando sequências menos boas. Já tivemos algumas, lembro-me na primeira época de estarmos bastantes jogos sem vencer.
Isso é um dado que diferencia a direção do Nacional de outras, que é a capacidade de ser estável e manter a confiança no treinador e no projeto que tem em mãos. Penso que isso é uma das melhores características desta administração, liderada por um presidente muito experiente. Eu costumo dizer, na brincadeira mas também muito a sério, que é o presidente mais antigo do futebol português atualmente, o presidente dos presidentes nos dias que correm.
Com muita experiência, já passou por muitas situações e tem a capacidade de pensar de forma diferente quando as coisas não correm tão bem, quando a instabilidade surge. Tem uma abordagem diferenciada. Dessa forma, o treinador sente-se mais confiante e mais à vontade para desenvolver o seu trabalho. Felizmente, as coisas têm ocorrido bem, porque tem havido estabilidade, mas também tem havido realização de objetivos.
Como é essa relação com o presidente do Nacional no dia-a-dia?
É alguém que me faz aprender todos os dias, porque tem uma experiência muito vasta. Transmite muitas vezes essa experiência, da qual eu aprendo, e é fácil trabalhar com ele porque é uma pessoa que tem uma visão muito clara daquilo que é o panorama do futebol em geral e também do jogo em si.
É alguém que percebe do jogo, que tem capacidade para avaliar os jogadores e as características dos mesmos. Até tem uma certa apetência para pontas de lança e guarda-redes. O Nacional, ao longo da história, tem tido jogadores de renome nessas posições que depois são vendidos para clubes maiores.
Portanto, é uma relação fácil, porque quando se trabalha com alguém competente nós evoluímos e as coisas, em conjunto, correm melhor. Tem sido uma experiência boa e uma experiência de sucesso.
O que é que trabalhar na Madeira, especificamente num estádio com alguma altitude, muda no seu processo de treino e nas dinâmicas do plantel?
Trabalhar na Madeira não é fácil, sobretudo devido à questão das viagens e do desgaste associado. Aí sim temos o maior cuidado e uma maior limitação, porque as viagens causam muito desgaste e a nossa planificação semanal, principalmente nos jogos fora, tem que ter isso em conta.
Os treinos têm que ser muito bem geridos, as cargas muito bem controladas, tem que haver uma monitorização constante. Mas, dentro dessas limitações, penso que a equipa consegue ser competitiva, mesmo por vezes não tendo o descanso ideal. Essa é, de facto, uma limitação, tal como já falámos anteriormente da questão da capacidade de recrutamento.
A questão da altitude e do nevoeiro é mais um mito. Ao longo do ano, se tivermos dois treinos com nevoeiro, é muito. Isso acontece mais para o final do dia, que é quando normalmente se realizam os jogos, e aí sim já aconteceu um ou outro jogo ser adiado, porque é a altura em que surge mais nevoeiro. Como nós treinamos de manhã, não tem tanta influência. Ao longo de três anos, se tivemos dois ou três treinos com nevoeiro, já foi muito.
A questão da altitude tem alguma influência, principalmente para quem vai lá jogar. Para nós não, porque já estamos habituados. Mas para quem vai jogar à Choupana, admito que possa ter alguma influência.
O Nacional pode tirar partido de estar habituado a jogar nessas características?
Penso que sim, porque em casa somos mais fortes. Não sei se tem a ver com a questão da altitude ou simplesmente por ser a nossa fortaleza, a nossa casa, o espaço onde nos sentimos melhor... mas a verdade é que em casa somos mais fortes. Tudo isso são fatores que certamente influenciam. Não penso que seja decisivo, mas é importante.
Como se vive o futebol na Madeira com dois grandes clubes como o Nacional e o Marítimo?
É um meio pequeno - a Madeira tem cerca de 250 mil habitantes - e nós, enquanto treinadores, jogadores e dirigentes, somos bastante reconhecidos. Existe essa rivalidade entre o Nacional e o Marítimo, que já dura há muitos anos.
Felizmente, nos últimos anos o Nacional tem conseguido algum ascendente, porque está a competir numa divisão acima há duas épocas consecutivas, enquanto o Marítimo tem estado na Segunda Liga. Existe rivalidade e acho que é saudável.
O povo madeirense gosta muito de futebol, acompanha com entusiasmo, inclusive nos jogos fora. Temos sempre um apoio considerável fora de casa, o que para uma equipa insular não é fácil. Há muita gente que está no continente a trabalhar ou estudar e que gosta de ir ver o seu clube ao fim de semana.
É um povo fervoroso, mas fundamentalmente respeitador. Quando ganhamos, é fácil o elogio; quando perdemos, noutros contextos seria fácil a crítica. Ali não acontece dessa forma. As pessoas são equilibradas, sabem que damos tudo pelo clube, mesmo quando as coisas não correm bem. E reconhecem isso. Têm sido três anos de apoio fantástico, uma simbiose perfeita entre plantel, equipa técnica e associados. Somos uma família e isso tem dado frutos, porque temos conseguido concretizar objetivos época após época.
O Marítimo está no primeiro lugar da Segunda Liga e é o principal candidato à subida. Entusiasma-o a ideia de viver um dérbi da Madeira na Primeira Liga na próxima temporada?
Já tive a oportunidade de viver esse dérbi na Segunda Liga, no ano em que subimos, quando disputámos essa subida com o Marítimo. Sinceramente, o facto de o Marítimo subir ou não é-me indiferente. Cada um segue o seu caminho e os seus objetivos.
Sendo natural do Porto, imagino que a mudança para uma ilha tenha sido significativa a nível familiar. Como se faz essa gestão?
O mais engraçado é que eu cheguei à Madeira com duas malas e um dia sairei de lá com um filho e casado. O meu filho nasceu lá, é madeirense, tem cinco meses. Portanto, a Madeira vai estar sempre ligada à minha vida desportiva e também à minha vida pessoal.
Quando fui, fui apenas com a minha namorada, que hoje é minha esposa. Entretanto casámos e tivemos um filho. A minha vida familiar agora é lá. Foi muito fácil adaptar-nos, porque a qualidade de vida é muito boa, as pessoas são muito afáveis e a Madeira é um destino completamente diferenciado, que faz com que tenhamos muito gosto em viver lá.
Há cada vez mais treinadores jovens a chegar ao principal escalão e a nova geração é reconhecida por uma abordagem diferente na relação com a imprensa. É intencional da sua parte ter esse perfil mais aberto e explicativo?
A verdade é que nós estamos dependentes do nosso público. Somos uma indústria que vende um produto e temos que ter capacidade de o vender e de aproximar quem o consome. Penso que o adepto quer ouvir questões do jogo, questões táticas, perceber o pensamento do treinador, as decisões que tomou. É isso que interessa, e não fugir constantemente às perguntas.
O que leva ao consumo é a clareza, é a capacidade de explicar os pensamentos. É um caminho que eu aprecio e gosto de seguir, porque penso que é isso que o adepto quer ouvir. Quando eu não era treinador, era isso que eu queria ouvir. Hoje há mais abertura. Esta nova geração de treinadores já vem com essa abordagem de entender que temos que vender o produto e que quem o consome tem direito a informação diferenciada. Tento primar por esse caminho e o "feedback" tem sido positivo.
Já falou em referências, destacando José Mourinho. Como foi enfrentá-lo pela primeira vez e que outras referências teve?
Como disse, José Mourinho foi quem me fez olhar para a profissão de forma apaixonada. Despertou em mim o interesse pela função de treinador. Cresci a acompanhar as vitórias que foi conseguindo pelo mundo fora e tinha como objetivo um dia defrontá-lo. Era uma meta profissional.
Felizmente consegui fazê-lo este ano, com ele ao serviço do Benfica, e foi a realização de um objetivo de carreira. Sempre foi uma grande referência e continua a ser. Ao longo do caminho fui apreciando outros treinadores, mas se tiver que nomear alguém, José Mourinho destaca-se claramente.
Que futebol vê em casa quando não está a trabalhar?
Fundamentalmente, vejo os jogos da nossa liga, porque gosto de estar sempre a par daquilo que é o dia a dia, jornada a jornada, para perceber como é que as equipas estão a jogar e como é que os jogadores estão a evoluir.
Neste momento já não olho para o futebol como lazer, mas como uma atividade profissional. Portanto, quando estou em casa, num eventual período de descanso, estou ao mesmo tempo a trabalhar, porque estou a analisar pormenores. Depois de começarmos a treinar, é difícil ver um jogo apenas na ótica do adepto. Procuramos sempre decifrar o que está a acontecer, porque já temos o olhar treinado para isso. Penso que é importante para nos mantermos atualizados em relação ao que se passa na nossa liga.
Uma das metas da sua carreira já está alcançada - defrontou José Mourinho. O que é que falta fazer? Já pensou em emigrar? Que campeonatos o entusiasmam?
Falta muito por conquistar. Há muitos títulos que gostaria de um dia poder alcançar, tanto em Portugal como no estrangeiro. Mas primeiro é importante pensar na realidade do futebol português, evoluir patamares aqui no nosso campeonato e, quem sabe, poder conquistar títulos em Portugal.
Mais tarde, sim, gostaria de emigrar e experienciar outros campeonatos e culturas. Sou um apreciador da liga italiana e da liga inglesa, portanto são dois países onde gostava muito de poder trabalhar um dia. Acredito que o vou conseguir. Tenho também a felicidade de ser agenciado pelo Jorge Mendes, que é uma referência mundial, e acredito que mais cedo ou mais tarde surgirá essa oportunidade, que espero agarrar com sucesso.
Está na terceira temporada no Nacional, o seu trabalho é reconhecido e é um jovem treinador apetecível para outras equipas. Já surgiram abordagens?
Já surgiu uma ou outra abordagem, que cortámos logo à nascença, porque para nós faz sentido o projeto e a estabilidade para desenvolver trabalho. Tinha dois anos de contrato com o Nacional, que terminam esta época, e eu, juntamente com o meu empresário, definimos que era importante cumprir esses dois anos.
Após o término da época teremos que avaliar as situações que possam surgir e perceber também se o Nacional mantém interesse na continuidade dos meus serviços. Neste momento, o meu foco é cumprir os objetivos. Isso é o mais importante. No final da época haverá tempo para pensar e analisar as possibilidades. Vamos ver.
