Atletas Olímpicos afirmam que desporto "não tem peso político" no Governo

Atletas queixam-se de que o desporto ficou 'esquecido' nas medidas previstas pelo Governo para combater os efeitos da Covid-19.

A Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto "não tem peso político no Governo" para fazer valer "a importância do desporto", apontou o presidente da Comissão de Atletas Olímpicos (CAO), João Rodrigues.

A "leitura" do antigo velejador olímpico assenta na diferença de tratamento que o executivo tem tido na tentativa de encontrar soluções para as dificuldades da sociedade, de uma forma geral, resultantes da pandemia de Covid-19, que fica expressa na ausência de medidas de apoio ao desporto no Programa de Estabilização Económica e Social, aprovado no início de junho.

"Foi aí que o desporto percebeu, mais uma vez, que iria ficar de fora das grandes opções do Governo nesta matéria", referiu o recordista nacional de participações em Jogos Olímpicos, que marcou presença em sete edições: Barcelona1992, Atlanta1996, Sydney2000, Atenas2004, Pequim2008, Londres2012 e Rio2016.

Em declarações à agência Lusa, João Rodrigues criticou, ainda, as opções do Ministério da Educação, que "não tem o desporto como prioritário" entre as diversas áreas que tutela e apelou para uma reflexão sobre a importância que este tem na sociedade portuguesa.

"O fenómeno desportivo não se cinge à obtenção de resultados em Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo. Todo ele assenta em criar uma sociedade mais saudável e o topo desta pirâmide são os atletas de alta competição, mas a sua importância não é assimilada", criticou João Rodrigues.

O sexto classificado na Classe Mistral em Atenas2004 lembrou também que não é por falta de propostas "consensuais" das entidades competentes que o desporto ficou 'esquecido' nas medidas previstas pelo Governo e que o desporto não está a exigir "nada que não esteja a ser feito para muitos outros setores da sociedade".

Nesse sentido, lembrou que o desporto "representa 2% do Produto Interno Bruto europeu" e disse que os atletas já não sabem mais "como chamar a atenção".

"Não tenho dúvidas de que o Governo deu atenção ao desporto quando fez o que fez no anúncio da final da Liga dos Campeões de futebol, mas o desporto não se deve cingir àqueles que têm voz para chegar ao Governo. O papel do Estado é dar atenção a todos e gostávamos que olhasse para todos de forma equitativa", apelou.

Por isso, João Rodrigues apelou para que sejam criadas "condições para que outras modalidades possam fazer em segurança" o seu regresso à atividade competitiva, até porque nem todas conseguem ter a mesma disponibilidade financeira que o futebol para testar sistematicamente "atletas e todas as pessoas ligadas ao fenómeno desportivo".

"Como é que se pode pensar que um pequeno clube, que vive dos escalões de formação e até do voluntariado das pessoas, pode testar os seus atletas de forma sistemática? O que se está a fazer é cortar a capacidade destas instituições voltarem à atividade. Temos um país a duas velocidades, com uma modalidade [o futebol] que tem a capacidade de o fazer e depois todas as outras", apontou.

Por fim, o presidente da CAO elogiou o entendimento entre o Comité Olímpico de Portugal, o Comité Paralímpico de Portugal e a Confederação do Desporto de Portugal que realizam em conjunto, na quarta-feira, a Cimeira das Federações Desportivas, na qual é esperada a participação de cerca de 60 federações desportivas de diversas modalidades.

"Falarão a uma só voz e representam legitimamente todo o movimento desportivo nacional, e isso terá desenvolvimentos positivos, inclusivamente entre os próprios atletas", considerou.

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