"Drama inaceitável." Jogadores da AD Oliveirense sem salário nem dinheiro para comida

O sindicato dos jogadores anunciou que os plantel já avançou com um pré-aviso de greve.

Com mais de dois meses de salários em atraso, os jogadores da Associação Desportiva Oliveirense, clube de Santa Maria da Oliveira, em Famalicão, ameaçam não no encontro da próxima semana com o Santa Clara para a Taça de Portugal, adianta o Jornal de Notícias. Entretanto, o plantel da AD Oliveirense, do Campeonato Portugal de futebol, decidiu avançar com um pré-aviso de greve.

De acordo com o jornal, alguns jogadores não treinaram esta semana, porque não se têm alimentado. Joaquim Evangelista, o presidente do Sindicato dos Jogadores, confirmou esta informação à TSF, qualificando a situação como um "drama inaceitável".

"Foram-me relatados casos dramáticos ao nível da alimentação, das deslocações. Há muitos jogadores estrangeiros e, portanto, há aqui dramas humanos que importa, de imediato, resolver. Não é aceitável. Mais grave ainda é que, de facto, esta administração não está presente, tem um diretor desportivo que não toma decisões, diz que [essas decisões] passam pelos seus superiores, que não estão em Portugal. Além disso, são recorrentes neste processo, na medida em que no ano passado aconteceu exatamente a mesma coisa", explica.

O sindicato vai disponibilizar um fundo para ajudar estes jogadores e "responder de urgência aos casos mais concretos".

"O fundo de garantia salarial permite, no caso de haver uma situação de incumprimento reiterado, responder e depois obrigar o clube à devolução. Vai ser dentro dessa lógica que, neste momento, será dada uma resposta", adianta à TSF.

Desde há quatro meses que a SAD desta associação desportiva é gerida por investidores argentinos. Joaquim Evangelista adianta que vai falar com a Federação Portuguesa de Futebol para pedir mudanças que acabem com algumas situações de impunidade no desporto e fazer face a este tipo de "investimento sem rosto".

"Isto é uma regra que começa a entrar no futebol português e que exige reflexão e medidas concretas. O investimento estrangeiro é bem-vindo, mas tem de ter regras concretas e tem de ser escrutinado. Na época passada aconteceu a mesma coisa com este clube. Volta a repetir-se, é o mesmo investidor, há um sentimento de impunidade no futebol português nestas divisões que não é aceitável. Temos de melhorar o modelo de licenciamento, controle e de exigência na medida em que isto tudo tem um impacto negativo para os jogadores e para as suas famílias, mas também para a credibilidade do futebol português", remata.

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