Governantes "não deviam" ir ao Catar. "Não é representação de Estado, é ir ver um jogo de futebol"

No programa O Princípio da Incerteza da TSF e da CNN Portugal, Alexandra Leitão entende que Marcelo, Costa e Santos Silva "não deviam ir" ao Catar ver a seleção nacional porque "não é diplomacia de negócios". Pacheco Pereira diz que "há uma caução em ir ao Catar" e Lobo Xavier considera que o futebol não justifica as viagens.

A ida de Marcelo Rebelo de Sousa, Augusto Santos Silva e António Costa ao Mundial de futebol no Catar foi tema no programa O Princípio da Incerteza da TSF e CNN Portugal. A deputada Alexandra Leitão diz que a Assembleia da República não ficará responsabilizada caso chumbe a ida do chefe de Estado. Para a antiga ministra, os governantes portugueses não deveriam ir.

"Primeiro, não deveriam ir, independentemente de ter que ter autorização da Assembleia ou não, porque o primeiro-ministro e o presidente da Assembleia da República não têm que ter autorização da Assembleia, mas não deviam ir, porque não é diplomacia de negócios, não é uma representação de Estado, é ir ver um jogo de futebol por mais importante que a seleção nacional seja", defende Alexandra Leitão.

A deputada refere que a autorização da Assembleia "sempre foi tida como uma mera formalidade". "Em qualquer caso, seja qual for o desfecho do que vier a acontecer na Assembleia, é minha opinião que isso não tem por efeito corresponsabilizar a Assembleia, nem pela ida nem pela não ida do senhor Presidente da República."

O historiador Pacheco Pereira contesta a vénia que a política faz ao futebol.

"Neste momento, há uma caução clara em ir ao Catar. Essa caução em ir ao Catar é uma caução ao regime, às violências, que depois envenenam para dentro", afirma, relembrando o caso das camisolas da Amnistia Internacional. "Já se começam a tomar medidas preventivas que, na prática, violam a liberdade das pessoas, mesmo aquelas pessoas que irão ao Catar."

Já o antigo dirigente centrista António Lobo Xavier não entende a polémica à volta da realização do Mundial no Catar, mas sublinha que o futebol não justifica as viagens.

"Eu não gosto de ver as deslocações do Presidente da República, do primeiro-ministro e do presidente da Assembleia da República, todos a correrem em direção ao futebol. Em geral, também não gostava que fossem à Venezuela, num Mundial da Venezuela, nem a Cuba, num Mundial de Cuba, não gostava que fossem a esse género de países pelo motivo futebol", diz.

Lobo Xavier lembra que António Costa esteve no Catar em 2017 numa "missão destinada a encontrar interesse para a compra da dívida pública e também a falar com os investidores locais para investirem em Portugal". "Nós podemos por tudo isso em causa, mas temos que nos entender."

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