Miguel Oliveira, o dentista sem carta que se arrisca a ser campeão do mundo de MotoGP

Miguel Oliveira parte este domingo do 17.º lugar na corrida de estreia em MotoGP. Recordamos algumas das confissões do piloto português aos microfones da TSF.

Nasceu a 4 de janeiro de 1995, filho de Paulo Oliveira, antigo piloto, e de Cristina Oliveira, médica.

Desde cedo, como conta o pai, em entrevista à TSF, no programa "Uma questão de ADN", o filho mostrou interesse por motos, tendo recebido a primeira quando ainda tinha 2 anos. Tem no pai um dos maiores fãs do seu percurso, nas suas palavras "É sempre um orgulho. Qualquer resultado é um orgulho, só o fato de estar ali é um orgulho imenso, e a vitória é a cereja no topo do bolo".

Paulo fala sobre o gosto, ou o "bichinho" para as motos, como algo que foi crescendo com o tempo. Miguel acompanhava-o em algumas das corridas e concentrações, o pai incentivava-o mas diz que era necessário um equilíbrio, pois em troca de uma porta para este mundo motorizado, Miguel tinha de conseguir bons resultados na escola. Nas palavras de Paulo "eu proporcionava as motos, e ele pagava com estudos", é assim desde que o piloto teve a sua primeira Metrakit (fabricante de motos italiana especializada em construir veículos para jovens) aos nove anos de idade e que começou a competir. Para o pai, foi um bom investimento.

O medo das lesões e dos ferimentos são, muitas vezes, razão suficiente para os pais se oporem à prática destes desportos. No caso de Miguel Oliveira, tanto o pai, ex piloto, como a mãe, médica, apoiaram desde cedo o piloto. E a profissão de Cristina até ajudou sempre que este se magoava.

Paulo, explica que, apesar de lesões serem comuns no desporto, e que ninguém está isento de algum ferimento, é mais fácil deixar o filho competir num ambiente controlado, com assistência de médicos, ambulâncias no local, do que viajar de mota no dia-a-dia. Este pensamento descansou toda a família quando o piloto começou a competir.

Mas Miguel Oliveira não tem apenas as motos na sua vida, o seu progresso escolar, fruto do acordo como pai para ter boas notas, permitiu-lhe ingressar no curso de medicina dentária. Como diz na entrevista, quando feriu um dos dedos, ficou intrigado sobre o funcionamento ósseo do corpo humano, o que despertou o interesse para estudar medicina. A vertente de dentária veio por influência de um amigo chegado e agora é o seu plano B, "Chegamos muito alto, brilhamos, mas depois apagamos. Não conseguimos estar no estrelato durante tantos anos." O piloto, apesar de ter apenas 24 anos, já está a pensar na vida depois das 2 duas rodas e não exclui outros projetos como ter a própria equipa ou ser assessor de outro piloto.

Numa segunda entrevista, desta vez na Manhã TSF, o jornalista Fernando Alves relembrou as palavras do presidente da Federação Internacional de motociclismo, Jorge Viegas, que considerou o jovem "um piloto já de topo mundial". Miguel tem consciência de que o seu percurso até aqui foi bom, mas sabe que ainda há muito caminho pela frente, " Sei que estou num percurso longo até chegar ao topo do MotoGP, mas já estou na categoria e esse era talvez o passo mais difícil de dar, mas, agora, tenho que continuar a trabalhar da mesma forma, focado, e chegar ao topo, também, da categoria rainha"

Sobre a sua subida para o escalão mais alto, diz que teve de trabalhar muito e mostrar-se o mais possível às equipas que estavam à procura de novos pilotos. Acabou por integrar a austríaca, KTM.

Esta mudança de divisão, obrigou a uma mudança de número de piloto. Passou do 44, para o 88, o que foi difícil porquê, como explicou, "desde pequeno que uso o 44 e para mim tornou-se complicado pensar sequer noutro número. Quando comecei a pensar mais a sério em que número usar o 88 fazia sentido, é um número par, repete-se a si mesmo e no MotoGP é tudo a dobrar".

O piloto tem consciência de que nesta prova os construtores têm um papel muito importante. Apesar da sua equipa ter apenas 2 anos de experiência e isso ser uma desvantagem, Miguel acredita que a KTM tem todos os meios necessários para desenvolver uma mota competitiva, capaz de alcançar as classificações que ambicionam.

Apesar de toda a tecnologia, o piloto ainda é quem controla, quem muda as configurações durante a corrida, e, sobretudo, é quem conduz e faz render o veículo, ao seu máximo potencial.

Com o escalão mais elevado vem também uma responsabilidade acrescida e adversários como Valentino Rossi, Marc Marquéz, Jorge Lorenzo.

Miguel Oliveira espera que o seu sucesso no mundo do motociclismo traga de volta a prova rainha a Portugal, pois, é um sonho do piloto, poder competir na prova mais importante da modalidade, no seu país. Acrescenta, os fãs que seguem o desporto, bem como o piloto, gostariam de ver a prova em território nacional mas admite que os mercados para receber a grande prova do motociclismo, são competitivos e com bastantes condições económicas.

Dentro da sua nova (já familiar) equipa, o português diz que a KTM, tem dado todas as condições que precisa "é algo que é notório, e que eu não me posso queixar tanto na Moto3, como na Moto2, tive sempre um acompanhado muito personalizado por parte da KTM". Uma particularidade bastante imporante, pois, como diz Miguel na entrevista, a moto, e tudo o resto é diferente, pelo que o início, é um período de adaptação para melhor entender o veículo, e para a equipa poder fazer as alterações necessárias, também, para Miguel ficar mais habituado aos controlos da moto, bem como, a sua eletrónica.

No final da entrevista, Miguel, prometeu que estará para breve a obtenção da carta de moto, o piloto, embora já com extensa experiência em duas rodas, ainda não está habilitado a andar de moto fora das pistas.

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