"Na Grécia há tolerância zero para maus resultados, são fanáticos"

A passagem de Miguel Cardoso pelo AEK de Atenas durou apenas quatro jogos. Em entrevista à TSF, Hélder Lopes, um dos seis atletas lusos do clube da capital, fala da vida num ambiente onde impera o fanatismo, entre adeptos e dirigentes.

No final de agosto os jogadores do AEK de Atenas e a equipa técnica ficaram retidos no centro de estágios perante uma manifestação de adeptos furiosos. Reclamavam contra os resultados da equipa no início de temporada, sob o comando do recém-chegado treinador português Miguel Cardoso. A saída do técnico foi anunciada dias depois.

Lateral-esquerdo do clube de Atenas Hélder Lopes considera que na Grécia, mais ainda do que em Portugal, "os clubes têm pouca paciência para os maus resultados". O ambiente é pesado, "tolerância zero", e muitas vezes colocam os treinadores e jogadores de parte", explica o defesa.

"Os clubes aqui vivem essencialmente dos resultados, e de resultados rápidos. Os adeptos e os dirigentes são fanáticos". Uma oportunidade perdida para jogar bom futebol, explica Hélder Lopes, com um treinador que tinha apresentado ao grupo durante o verão "boas ideias", dentro do relvado.

Um futebol apelativo, municiado por muitos jogadores portugueses, um contingente reforçado com o avançado Nélson Oliveira (ex-Norwich), com os médios David Simão (ex-), Francisco Geraldes (ex-Sporting) e o defesa Paulinho (ex-Chaves).

Mas não é só o AEK que atrai portugueses. O Olympiakos mantém Pedro Martins como treinador e três jogadores portugueses, enquanto o PAOK de Tessalônica contratou Abel Ferreira ao SC Braga, o timoneiro de um grupo que tem ainda o português Vieirinha.

Um lugar ao sol para os portugueses

Hélder Lopes já passou há muito o período de adaptação à Grécia. "Vivi aqui dois anos fantásticos. No primeiro fui campeão, o primeiro título do clube depois de 24 anos. Fomos ainda Liga Europa", conta. A memória mais impressiva da experiência remete para a conquista do título. "No primeiro ano, quando fomos campeões, recordo-me de jogar com quase 70 mil pessoas. É quase o Estádio da Luz cheio", mas com adeptos a cantar um tom acima do que acontece em Portugal.

Mas na temporada passada o azar bateu à porta de Hélder Lopes, que sofreu uma lesão grave que o afastou por sete meses dos relvados. No jogo frente ao OFI Creta, uma vitória por 3-0 dos atenienses, o defesa sofreu uma rotura de ligamentos do joelho esquerdo. Na altura o presidente do clube Evangelos Aslanidis fez chegar a Helder Lopes a garantia de que ia propor a renovação do contrato do jogador, um voto de confiança quando a paragem do atleta se previa longa.

"Agora estou recuperado e comecei a temporada como titular. Sinto-me muito bem aqui", explica o lateral português. "Vivo a cerca de 20 minutos do centro da cidade, numa zona turística onde vivem muito jogadores de futebol, seja do AEK, seja do Panathinaikos ou do Olympiakos. Temos uma praia próxima, é um dos melhores locais para se viver", explica Hélder Lopes.

A presença de jogadores e treinadores portugueses também agrada. "Vamos aos restaurantes, ou encontramo-nos na rua. Já estive com o Rúben Semedo ou com o Bruno Gaspar, também com o Pedro Martins", comenta o jogador.

Ser campeão no novo estádio do AEK

Com ligação renovada ao clube da capital grega, Hélder Lopes tem no horizonte um novo objetivo. "Quero ser campeão este ano, para que na próxima temporada entrar no novo estádio do clube nessa condição".

O novo estádio deve estar concluído no prazo máximo de ano e meio, ou seja, lá para 2021. Jogamos no Estádio Nacional, com capacidade para 70 ou 80 mil pessoas, mas que nunca está repleto. O novo estádio tem capacidade para 30 a 40 mil, e tenho a certeza que vai estar sempre cheio e com um ambiente fantástico".

"O centro de estágios fica um pouco afastado do centro da cidade, mas tem todas as condições. Para além do novo estádio que está em construção, o presidente do clube quer ainda aumentar o centro de estágios e construir por lá um hotel", aponta Hélder Lopes.

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