Estrela da Amadora

O Estrela quer voltar a brilhar na I Liga. É o regresso do futebol sénior à Amadora

São todos amadores, treinam em apenas meio campo, muitas vezes à meia-luz e ainda sem equipamento. Este é o novo Estrela da Amadora, que ainda assim quer chegar à I Liga.

O mesmo estádio, a mesma cidade, o mesmo equipamento tricolor, mas agora com outro nome. O Clube Desportivo Estrela da Amadora quer herdar o legado do antigo Clube Futebol Estrela da Amadora e regressar ao convívio com os "grandes" do futebol português. A esperança de voltar à I Liga é um sentimento comum que paira no histórico Estádio José Gomes. São visíveis as marcas do passado no exterior e no interior do estádio (é bom lembrar que falamos de um edifício com mais de 60 anos).

É grande a movimentação junto à secretaria do clube, situada no parque de estacionamento do estádio, perto do Bingo da Amadora. São as semanas das inscrições e das captações, o que significa trabalho redobrado para os responsáveis do clube da Reboleira. Apesar da agitação naquela zona, o muito solicitado - sobretudo pelos mais jovens - presidente do "novo" Estrela, Rui Silva, recebe a TSF em plena "hora de ponta" para a direção. Os treinos das camadas jovens estão a começar e, por isso, é inevitável o fluxo de atletas, treinadores e material desportivo nos túneis de acesso ao "relvado sagrado" do Estádio José Gomes.

Rui Silva explica à TSF como foi o processo de refundação do Estrela: "Achámos que podíamos fazer alguma coisa para não estarmos nesta situação. E surgiu a ideia de refundar o Estrela, o que passava por criar um novo clube que, de certa forma, nascia com os ideais e princípios do CF Estrela da Amadora."

Rui Silva "fez renascer" o Estrela em 2011, 7 meses depois da sua extinção. Sem qualquer experiência em dirigismo, o novo líder do emblema tricolor era apenas um sócio que via os jogos na bancada. Hoje é presidente e atleta (na modalidade de atletismo) do clube. E não só: "Eu sou mais um na direção. Faço tudo o resto aqui no clube, desde abrir a porta às pessoas, apagar a luz, trabalhos de manutenção... tanto podem encontrar-me de fato vestido para ir a uma reunião, como, se for necessário, estou com os meus colegas dos órgãos sociais a reparar ou limpar alguma coisa nos balneários."

Com três modalidades no clube - futebol, ténis de mesa e atletismo -, a grande novidade desta época passa pelo regresso de uma equipa de futebol sénior à competição: "Foram 7 anos de preparação para conseguirmos alcançar esse patamar. É caro ter uma equipa de seniores. O nível de exigência financeira é superior a uma equipa de benjamins ou iniciados. Quando essas condições financeiras se proporcionaram, então sim, nós achámos que era o momento para avançarmos para uma equipa sénior", esclarece Rui Silva.

Agora, a nova equipa do Estrela está pronta para começar na I Divisão Distrital de Lisboa, mas na Reboleira, a esperança é mesmo voltar a jogar nos grandes palcos: "Quando me perguntam até onde queremos chegar... é colocar o Estrela onde estava, que é na I Liga", ambiciona o presidente do clube.

20h45. Hora do início do treino da equipa sénior. Os jogadores, todos amadores, encontram-se meia hora antes nos balneários e seguem para o treino, às ordens de Ricardo Monsanto, o novo treinador do Estrela. A equipa treina apenas em meio campo, visto que os juniores ainda estão a ocupar a outra metade do relvado. À meia-luz, no Estádio José Gomes, os novos rapazes do Estrela, sob o olhar do treinador, fazem por merecer um lugar no plantel. É, porém, difícil vislumbrar mais de 3 camisolas do Estrela da Amadora. É que ainda não há, sequer, equipamentos de treino.

Na Reboleira a ambição é grande mas Ricardo Monsanto, o novo "homem do leme," tem os pés bem assentes no chão: "Não sei se serei eu a levar o Estrela à I Liga. Espero para já, passo a passo, conseguir cumprir os objetivos do clube." Mas o técnico de 39 anos reconhece: " A verdade é que sei que o Estrela da Amadora quer chegar à I Liga, independente do tempo que demorar."

Entre os mais de 30 jogadores do plantel (e quase todos eles nunca tiveram ligação ao Estrela da Amadora), está Miguel Almeida, que em tempos teve o "orgulho" de representar o Clube Futebol Estrela da Amadora (CFEA) e agora está prestes a fazer parte da nova história do emblema lisboeta: "O antigo Estrela era um clube já com uma grande estrutura, um clube gigante... agora, estamos a começar por baixo. É diferente", remata o jovem 19 anos, ainda com a respiração acelerada após um treino intenso. Miguel Almeida jogou nas escolinhas do CFEA antes do clube acabar. Agora, no seu primeiro ano sénior, revela a aspiração do balneário: "O objetivo é chegar à I Liga... é o sonho de qualquer um que está aqui."

Passar de clube de bairro a clube profissional. No fundo, voltar a ser o que era. Esse é o sonho do novo Estrela da Amadora.

  COMENTÁRIOS