Roma-Porto: uma luta de opostos na arena romana

A Liga dos Campeões está de volta, para a sua fase eliminatória, e o campeão português FC Porto é um dos primeiros a entrar em ação, visitando esta terça-feira o terreno da Roma. Em dezembro, os dois clubes ficaram satisfeitos com o sorteio. Veremos agora quem impõe a sua força.

No Estádio Olímpico da capital italiana, os portistas nunca conheceram a derrota nas competições europeias: uma vitória (2016) e um empate (1981) perante a Roma e um empate (2003) face à Lazio, que contribuíram fortemente para o pleno de sucessos dos dragões nas três eliminatórias disputadas com os clubes em questão.

No geral, o histórico do Porto contra equipas italianas é bastante equilibrado: passou em cinco eliminatórias, foi afastado noutras cinco mas, mais importante do que isso, sempre que defrontou a Roma saiu-se a contento.

Deve, aliás, referir-se que o palmarés portista é incomparavelmente superior ao dos romanos: em termos internos a Roma não é sequer um dos "grandes" de Itália, somando somente três títulos nacionais (1942, 1983 e 2001), contra os 28 do Porto; nas competições da UEFA, a Roma não conta com qualquer troféu oficial (foi finalista vencida na Taça dos Campeões de 1984 e na Taça UEFA de 1991), enquanto os azuis e brancos já ganharam duas vezes a Taça/ Liga dos Campeões e conquistaram noutras duas ocasiões a Taça UEFA/ Liga Europa.

Também na presente temporada, os dragões têm estado num plano competitivo mais elevado do que os romanos. O Porto apenas perdeu por duas vezes em todas as competições, num total de 37 encontros realizados, somando atualmente 26 jogos sem conhecer o sabor da derrota. Já a Roma perdeu nove das 31 partidas disputadas: cinco na Liga italiana, três na Liga dos Campeões e uma na Taça de Itália.

Naturalmente, é inegável que o campeonato italiano assume-se como uma prova mais disputada e intensa do que o seu equivalente português e essa será uma vantagem para a Roma, habituada a outro ritmo e exigência competitiva. Não é por acaso que o valor de mercado do seu plantel é claramente superior ao do Porto (398 milhões de euros contra 290 milhões).

Segundo o site Transfermarkt, nos atuais últimos 16 da Champions só Lyon (389 milhões), Ajax (369), Porto (290) e Schalke (246) têm menor valor de mercado do que a Roma, o que até ajuda a explicar a satisfação que o sorteio provocou nos adeptos (e até nos responsáveis e jogadores) romanos. O mesmo aconteceu com os portistas, diga-se, conscientes de que frente à Roma (que recorde-se conseguiu chegar às meias finais da Champions na época passada, após reviravolta incrível face ao Barça), até gozam de um ranking UEFA superior (nono lugar contra 12º).

No que levamos de temporada, o Estádio Olímpico não tem sido propriamente uma fortaleza para os "gielorrossi". Venceram nove dos 15 jogos realizados em casa, somando ainda duas derrotas (ambas por 0-2, com o Real Madrid e a SPAL, actual 14ª da Série A) e cinco empates ( perante Milan, Inter, Atalanta e Chievo). Tanto ou mais significativo, a Roma tem sofrido muitos golos na condição de visitado (23), acumulando resultados como 3-3 (Atalanta), 2-2 (Chievo e Inter) ou 3-2 (Torino e Génova).

A Roma até parece passar por um momento positivo da temporada, com cinco vitórias nos últimos oito jogos, a que junta dois empates e uma derrota. O problema é que o desaire sofrido tomou proporções verdadeiramente catastróficas: 1-7 na deslocação a Florença, num jogo da Taça Itália. Por muito que tenha sido um desfecho completamente atípico, é realmente um facto que a defesa tem sido uma dor de cabeça permanente para os "gielorrossi" e para o seu treinador, Eusebio Di Francesco, como fica bem patente nos 45 golos sofridos em 31 encontros de todas as competições (basta comparar com os 29 concedidos pelo Porto em 37 jogos).

Em compensação, a Roma, que é quinta classificada da Série A (a 25 pontos da líder Juventus), tem o quarto melhor ataque da prova, com 44 golos apontados em 23 jogos. Nesse particular os jogadores em maior destaque têm sido El Sharaawy (oito golos e uma assistência) e o turco Under, com três golos e cinco assistências. O que não impede que o bósnio Dzeko seja o avançado mais temível, mesmo que no campeonato italiano apenas conte com cinco golos apontados. Mas na Liga dos Campeões, Dzeko costuma aparecer em grande, tendo já marcado cinco tentos em quatro jogos disputados na presente edição.

Além disso, há poucos dias, o bósnio tornou-se o primeiro jogador de sempre a atingir (ou ultrapassar) a marca dos 50 golos marcados em três das quatro principais ligas europeias (já o conseguira no Manchester City e no Wolfsburg).

A qualidade individual de alguns dos futebolistas da Roma (Dzeko, Kolarov, El Sharaawy, Nzonzi, Florenzi ou Pastori) pode ser um argumento importante a favor da equipa italiana nesta eliminatória, mas do seu lado os portistas terão, com certeza, maior estabilidade, regularidade e consistência colectivas. Isto apesar de um calendário recente bem mais intenso, com 10 encontros realizados desde que o ano civil começou, contra apenas seis dos romanos.

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