Na pandemia, nasceu o "Martins". Ginasta portuguesa inventa movimento

O confinamento e os meses sem poder treinar foram, em parte, responsáveis pela criação deste novo elemento técnico das paralelas assimétricas, na ginástica artística. Veja o vídeo.

Durante nove meses, em segredo, Filipa Martins treinou, caiu e voltou a cair. Milhares de vezes. Tantas que lhes perdeu a conta, mas o resultado valeu a pena.

Em entrevista à TSF, a ginasta do Acro Clube da Maia conta que "decidiram inventar" e pegaram numa variante de um movimento que já existia e complicaram. Complicaram tanto que o elemento tem um elevado grau de dificuldade. Vale seis décimas. Filipa Martins diz que atualmente poucas atletas a nível mundial o conseguem executar porque exige muito treino.

A atleta de 25 anos explica também que é difícil criar um novo elemento técnico porque, apesar dos aparelhos terem evoluído, atingiu-se um nível em que quase tudo foi inventado. Filipa Martins admite que aproveitaram uma "falha" que existia no código de pontuação internacional de ginástica artística.

Na semana passada, apresentou "o Martins" nos Campeonatos Europeus de Ginástica Artística que se realizaram na Suíça. Apanhou de surpresa as outras atletas. Filipa Martins explica que a pandemia deixou marcas e muitas estiveram meses sem treinar, e por isso não acreditavam que pudesse aparecer com algo de novo e diferente, depois de um período tão complicado.

No primeiro período de confinamento, conta que esteve quase três meses em casa. Os atletas não podiam ir ao ginásio, pelo que os treinos eram muito limitados. Só podiam fazer alguns movimentos básicos como pinos e quem tinha espaço em casa conseguia fazer rodas. No regresso aos treinos no ginásio "tivemos de aprender tudo e foi um período complicado", diz a atleta.

Filipa Martins tem agora um novo objetivo - os Jogos Olímpicos de Tóquio.

Até lá e enquanto houver aulas, os dias dividem-se entre os dois treinos diários e a faculdade.

Na bagagem para uma segunda participação nos jogos olímpicos já é certo, a atleta que nasceu no Porto há 25 anos leva o "Martins" o elemento inédito que criou e vai voltar a apresentar.

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