"Nem sei onde é Alcochete." Pinto da Costa depôs sobre ataque à Academia

Presidente do FC Porto estranhou "mau ambiente" antes da saída de Bruno de Carvalho.

Pinto da Costa, que lidera o FC Porto há 37 anos, afirmou esta terça-feira que não percebe porque razão o chamaram para participar no julgamento da invasão à academia do Sporting.

"Perguntaram-me se conhecia o presidente do Sporting. Felizmente conheci muitos e sou amigo ainda de alguns, que são vivos. Sinceramente não percebi bem porque vim cá. Aliás, a juíza agradeceu a minha presença e disse que não era da responsabilidade dela eu ter ido. Provavelmente sentiu que não vim adiantar muito. Também não podia adiantar porque felizmente desconheço totalmente esse processo. O que podiam perguntar? Nem sei onde é Alcochete", explicou Pinto da Costa.

Em tribunal, Pinto da Costa admitiu "não ter entendido o mau ambiente que se vivia no Sporting", que fez com que Bruno de Carvalho começasse a ser "contestado por toda a gente".

"Eu sentia que havia um ambiente mau, nunca entendi bem porquê, meses antes o Bruno de Carvalho teve 90% numa assembleia geral e pouco depois começou a ser contestado por toda a gente. Não compreendi muito bem essa mudança", afirmou Pinto da Costa, ouvido durante cerca de 15 minutos por videoconferência na 31.ª sessão do julgamento da invasão à academia do Sporting, em 15 de maio de 2018.

Pinto da Costa disse ter presenciado, em 04 de fevereiro de 2018, uma conversa que o deixou "chocado", mas que encarou "na brincadeira", entre Bruno de Carvalho e Jaime Marta Soares, à data, presidentes da Direção e da Mesa da Assembleia-Geral (MAG) do clube de Alvalade, respetivamente.

Segundo o presidente portista, Bruno de Carvalho dirigiu-se a Marta Soares dizendo: "Este também era dos croquetes e eu reabilitei-o". Ao que o antigo presidente da MAG respondeu: "Isto ainda acaba tudo destituído".

O processo, que está a ser julgado no tribunal de Monsanto, em Lisboa, tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, à data presidente do clube, Mustafá, líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados de autoria moral de todos os crimes.

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