Alentejo cria posto de turismo no aeroporto de Beja e novo Welcome Center em Évora

José Manuel dos Santos, presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo
Foto: Pedro Gomes Almeida
Por iniciativa da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, o aeroporto de Beja vai ter um posto de turismo e Évora vai transformar as instalações do museu do Artesanato num novo Welcome Center para receber visitantes da Capital Europeia da Cultura 2027
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Para já, com luz verde da ANA-Aeroportos, avança o posto de turismo do Alentejo no aeroporto de Beja, com ações de formação a todos os diferentes agentes envolvidos no suporte à infraestrutura, bem como a colaboração do politécnico local na receção aos visitantes que por ali passam, garante o atual presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.
José Santos sublinha que o aeroporto de Beja tem capacidade de receber até 1,5 milhões de passageiros por ano, mas tal só será concretizado à medida que o turismo for crescendo na região e lembra: "Só o ano passado, Beja registou 600 movimentos de aviação executiva, servindo cada vez mais o turismo residencial, especialmente a zona da Comporta, no litoral alentejano. Em 2024 registou ainda 30 charters não regulares. É verdade que nem todos com passageiros ficam depois no Alentejo, mas também já existe uma expressão de voos-táxis, ou seja, aviação comercial. Agora, é preciso que quem chega ao território saiba que está no Alentejo."
A entidade de turismo regional garante ter conquistado o espaço necessário junto da ANA Aeroportos, onde pretende instalar um pequeno posto de turismo.
"Vamos brandizá-lo com a nossa marca, Alentejo. Vamos criar também um protocolo com o Instituto Politécnico de Beja, para ter ali uma equipa de hospedeiras que vão receber os visitantes, os passageiros que desembarcarão no aeroporto de Beja, que lhes vão oferecer uma lembrança da região. Com a ajuda do Turismo Portugal, organizaremos pequenas formações de atendimento aos públicos dos que ali trabalham, para profissionais pouco habituados a lidar com públicos diversos que, à partida, exigem maior sensibilidade turística, como é o caso da Polícia de Segurança Pública, a Autoridade Tributária, a Autoridade das Migrações, no sentido de criarmos um clima e uma atmosfera de acolhimento e de receção a quem chega àquele aeroporto e que saiba que estão a chegar a esta região, que é o Alentejo."
Quanto a Évora, acaba de ser adjudicada a primeira empreitada do novo Welcome Center, a instalar no atual Museu do Artesanato, ao consórcio liderado pela empresa local, Vestígios e Lugares, num concurso em que existiram apenas dois concorrentes.
A obra final tem um orçamento previsto de 1,5 milhões de euros. Terá financiamento a 100% do PRR e, apesar do desafio, a pouco mais de um ano da abertura da Capital Europeia da Cultura 2027, José Santos acredita que a construção será feita "dentro do prazo previsto".
O Alentejo quer recuperar turistas internacionais, perdidos desde a pandemia, e, nesta altura, tem uma delegação representativa da região a caminho de Macau para participar no congresso da Associação Portuguesa de Agentes de Viagem (APAVT). Também lançou uma campanha de promoção de destino em territórios transfronteiriços, como Andaluzia e Extremadura espanhola, mas adiou para o próximo ano a ação promocional prevista para o consulado português em Sevilha.
Quanto à aposta no Brasil, pela afinidade da língua e cultura, terá foco especial ao nível do enoturismo e no turismo literário.
Nesse sentido, já em 2026, serão realizadas no Alentejo duas grandes conferências do trade turístico brasileiro, a Convenção da Associação das Operadoras Turísticas do Brasil e ainda a convenção da Rede de Agências de Viagens.
No próximo ano, a Região do Alentejo e Ribatejo vai marcar presença na ação dos Vinhos de Portugal no Brasil, com três iniciativas em clubes exclusivos de São Paulo e de Rio de Janeiro, em articulação com os vinhos do Alentejo.
Numa altura em que estão a ser estruturados os Roteiros Literários, quer do Alentejo, quer do Ribatejo, já existem iniciativas em curso, no âmbito deste tipo de turismo, como o recente Congresso Internacional do Berço à Universidade, de José Saramago, que começou na Azinhaga, no concelho da Golegã, terra natal do Nobel da Literatura e terminou no Lavre, no concelho de Montemor-o-Novo, com os maiores especialistas brasileiros na obra do autor a percorrer o roteiro do livro Levantado do Chão e a visitar o centro interpretativo de José Saramago. José Santos adianta que "isto é apenas uma ponta de um potencial que temos para promover o Alentejo".
Agora à frente da Entidade de Turismo do Alentejo e Ribatejo, mas também, desde abril, da Agência de Promoção Turística da Região, José Santos definiu um Plano Integrado assente em seis eixos estratégicos de atuação, com um orçamento que rondará os sete milhões de euros e que tem como objetivo fazer crescer o turismo desde o Baixo ao Alto Alentejo.
Num primeiro pilar, inclui a adaptação da oferta turística a um mercado cada vez mais competitivo a nível internacional, prevendo uma panóplia de iniciativas, incluindo itinerários de um conjunto de ícones arquitetónicos ligados às adegas de autor, assentos culturais ou assentos de arte contemporânea e o regresso das Festas do Povo e das Flores de Campo Maior, em destaque na próxima missão à FITUR, em Madrid.
Num segundo pilar, a meta é a melhoria das condições de acolhimento e de hospitalidade, prevendo não só mais cinco mil unidades de alojamento em cinco anos na Costa Vicentina, mas passar das atuais 30 mil para 70 mil camas no prazo entre oito a dez anos e melhorar outras estruturas de acolhimento, como a aeroportuária.
Num terceiro pilar, coloca a sofisticação e a melhoria da capacidade promocional e, num quarto pilar, a aposta na aproximação das pessoas aos territórios, através de embaixadores, "contadores de histórias" de cada um, dos 58 concelhos do Alentejo de Ribatejo.
Num quinto pilar, inclui a aposta na formação profissional, para melhoria da qualidade do destino, e, num sexto e ultimo eixo, a monitorização do destino, através do Observatório do Turismo, para diagnósticos em tempo real sobre comportamentos, oferta e procura, para adequar resposta ao nível de governação do destino.
"Acredito que nos próximos dois anos, o Observatório de Turismo do Alentejo, que é coordenado cientificamente pela Universidade de Évora, que tem um excelente grupo de professores e de académicos, em articulação com o Politécnico de Beja e de Portalegre, possa ser um instrumento que acrescente valor à governança do turismo na nossa região."
Com este plano, o Alentejo estima crescer em número de visitantes e acelerar a redução da sazonalidade, que passou de 42%, em 2015, para 39%, no ano passado.
Ao desafio permanente da falta de mão de obra, que todo o sector atravessa, o presidente da Entidade de Turismo do Alentejo e Ribatejo, acrescenta as acessibilidades.
Com os atuais constrangimentos no aeroporto Humberto Delgado e o futuro novo aeroporto de Alcochete ainda longe no horizonte, realça que a região aguarda pelas futuras ligações de ferrovia até Casa Branca e é a única zona do país que, a nível da rodovia, não beneficia da abolição de portagens, por não ter SCUTS. Tem apenas autoestradas, sendo que os preços vão aumentar já a 1 de janeiro de 2026.
"Falta equidade. Considero uma injustiça, até porque as portagens vão aumentar já no início do ano. Imaginem uma família de Lisboa, com filhos, ir a Évora e regressar a casa: quanto custará a viagem, incluindo alimentação e combustível..."
Outro alerta que tem sido feito publicamente por José Santos no último ano diz respeito à instalação de grandes centrais fotovoltaicas em zonas privilegiadas do território alentejano, como, por exemplo, o Alqueva. Reafirma que o estado deve ter bom senso na escolha das suas localizações.
"Os turistas não vêm ao Alentejo ver florestas de vidro. Portanto, não é bom para o nosso turismo. Há que escolher as localizações. Qualquer destes projetos trazem sempre alguns efeitos negativos. Tenho essa noção, mas esses efeitos têm de ser minimizados e temos de ponderar muito bem as localizações destas infraestruturas."
Mesmo assim, garante que o turismo na região está a crescer. "Somos a região que mais está a crescer este ano, cerca de 6% nas dormidas e mais 5% nos hóspedes. Somos a região que mais cresce também no mercado interno, cerca de 7,5%, e com um contributo de estrangeiros na ordem dos 40% na taxa de ocupação. São dados dos nove meses do ano e estamos a crescer quase 10% em proveitos, ou seja, mais do que estamos a crescer em dormidas. Portanto, está a ser um bom ano turístico."
