
Artur Machado / Global Imagens
Banca cria contas especiais antecipando-se à discussão no Parlamento de uma petição da DECO contra as subidas dos valores cobrados por serviços como o da manutenção de contas.
O tema das comissões bancárias tem levantado polémica nos últimos anos, com subidas sucessivas dos valores cobrados pelas instituições financeiras por serviços muitas vezes mal compreendidos pelos clientes, como a manutenção das contas à ordem.
Nos próximos meses, o Parlamento vai discutir uma petição da DECO - Associação de Defesa do Consumidor sobre o tema, mas um levantamento feito pelo jornal Público mostra que a banca já se antecipou.
A criação das chamadas 'contas-serviço', que englobam custos diversos, como por exemplo os das comissões das contas à ordem, de gestão de cartões de crédito e de débito, ou de transferências, sem que nenhum tenha um valor concreto, é a resposta da banca às eventuais alterações legais que 2018 possa trazer neste domínio.
Com aumentos de perto de 50% em 10 anos, as comissões, que já tem um valor médio entre os vários bancos de mais de 5 euros por mês, têm gerado polémica.
A DECO conseguiu mais de 13 mil assinaturas para levar o assunto à discussão na Assembleia da República, o que deverá acontecer nos próximos meses. O resultado da discussão não é garantido, e depende muito, escreve o Público, do interesse do grupo parlamentar do PS que tem estado à margem destas preocupações e que deverá seguir as instruções de Mário Centeno que por sua vez vai escutar o Banco de Portugal.
Antevendo alterações, os bancos começaram já a implementar uma solução. As instituições estão sobretudo preocupadas em reencaminhar clientes atuais para estes pacotes dado que os novos não têm praticamente alternativa. O jornal explica que até as ofertas de crédito à habitação já estão sujeitas à adesão a estas contas. Só assim se consegue um spread mais baixo.
O valor pago varia dentro de cada instituição e também de banco para banco, já que agrega diferentes tipos de produtos e serviços.
O Público noticia um levantamento da DECO que mostra que o custo mensal médio destas contas atinge 3,5 euros com domiciliação de ordenado e 5,60 euros sem transferência fixa do salário. Hoje alguns destes pacotes são mais baratos do que a soma dos produtos que os compõem, mas nada garante que continue a ser assim.
Estas contas têm vantagens para alguns clientes, aqueles com maior utilização de produtos bancários. Mas podem trazer custos acrescidos para quem usa pouco os muitos serviços oferecidos hoje pela banca, à semelhança do que acontece no mundo das telecomunicações e com a situação comum de clientes que pagam por serviços que não usam.