
Belmiro de Azevedo
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O patrão da Sonae considera que o Governo português é «calaceiro» porque opta pelo esforço fiscal sempre sobre os mesmos e não procura alternativas.
Em declarações, esta tarde, numa conferência na Fundação de Serralves, Belmiro de Azevedo criticou as medidas da proposta de Orçamento do Estado, considerando que o esforço fiscal recaí sobre os mesmos e os novos aumentos de tributação são «populismo gratuito».
«Uma pequena fatia de contribuintes paga a esmagadora maioria dos tributos. A discussão de novos aumentos de tributação é populismo gratuito, que pode servir para animar noticiários mas não serve a única e verdadeira solução que é emagrecer rapidamente o Estado e aumentar a liquidez do sistema financeiro», declarou.
Belmiro de Azevedo reiterou as críticas à banca por estar a racionar o crédito às empresas, quando ao mesmo tempo há bancos a comprar mais acções em algumas empresas.
O patrão da Sonae afirmou ainda que com os juros que estão a ser impostos, Portugal não tem hipótese alguma de pagar a divida.
«Estamos longe da Grécia, mas às taxas actuais não temos nenhuma hipótese de pagar a dívida. As taxas de juro reais actualmente são exorbitantes e vão demorar muito tempo a cair», explicou Belmiro de Azevedo, acrescentando que «só vão cair com disciplina orçamental».