
BES
Reuters/Rafael Marchante
"Gestão ruinosa" é mais uma vez a expressão que salta a vista quando se leem as sete páginas que resumem algumas das conclusões já apuradas no terceiro, quarto e quinto blocos desta auditoria forense que a Deloitte conduziu ao Banco Espírito Santo (BES).
É escrito que foi encontrada "prática de infração especialmente grave de gestão ruinosa em detrimento dos depositantes investidores e demais credores praticados pelos órgãos sociais do Grupo Espírito Santo".
Nestas conclusões preliminares, fica a saber-se que foi feita uma diminuição artificial do passivo da Espírito Santo International. E é claramente dito que o BES tinha informação suficiente para detetar essa "desconformidade", mas não o fez. Pelo contrário, continuou a vender papel comercial aos clientes.
Por várias vezes, surgem acusações de "violação de um conjunto significativo de deveres" tanto de controlo interno como de obediência as regras impostas pela supervisão.
Por partes: o terceiro bloco, refere-se ao aumento do passivo da holding Espírito Santo International; no quarto bloco, esta auditoria deteta o esquema que financiava o GES com dívida através da Eurofin e que terá causado perdas de 800 milhões de euros ao BES - mais uns milhões que contribuíram para o buraco de 3,6 mil milhões no primeiro semestre do ano passado.
Já na quinta parte da auditoria conclui-se que até Outubro de 2013, a gestora de fundos ESAF foi usada para vender dívida a clientes numa exposição que atingia mais de 2 mil milhões de euros no Verão do ano passado.
A auditoria forense foi dividida em 5 blocos. Os primeiros dois já tinham sido entregues no Parlamento, agora chegam informações sobre os três restantes blocos que se debruçam sobre a ESI, a Eurofin e a Esaf e ES Liquidez .
É considerado que algumas das conclusões podem levar a contraordenações e por isso, quando a investigação estiver concluída será enviada à Procuradoria-Geral da República.