
João Pedro Oliveira e Costa na confer~encia de imprensa de resultados de 2025 do BPI
Arquivo
A garantia foi deixada pelo CEO do BPI na conferência de imprensa de apresentação de resultados de 2025, numa altura em que o banco ainda tem fechados cinco dos 18 balcões afetados pela tempestade Kristin
O BPI está a operacionalizar as medidas de apoio aos prejuízos causados pela tempestade Kristin, assim fez saber na apresentação de resultados de 2025, ano em que registou lucros de 512 milhões de euros, menos 13% face ao ano passado.
Em conferência de imprensa realizada esta segunda-feira, João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI, assegurou que o banco está empenhado em operacionalizar, o mais rapidamente possível, as medidas de ajuda anunciadas pelo Governo no âmbito dos prejuízos provocados pela tempestade Kristin e deslocou vários diretores ao terreno para uma avaliação às necessidades dos clientes empresariais.
O gestor defende que o mais importante é colocar no terreno "as medidas anunciadas pelo Governo, que "têm alguma dimensão" e assegurou que a questão das moratórias "é algo a que as pessoas podem recorrer já". "E as linhas de crédito do Banco de Fomento também me parecem muito importantes", considerou.
"Isto não é estalar os dedos, mas estamos empenhados em fazê-lo acontecer muito rapidamente, em contacto direto com os balcões nos concelhos afetados", avançou João Pedro Oliveira e Costa.
O banqueiro admite também reforçar os apoios às pessoas nas zonas mais afetadas ao nível social através da Fundação La Caixa.
Questionado pelos jornalistas, o CEO do BPi mostrou disponibilidade para sair do BFA ( Angola) e BCI (Moçambique) e não está interessado na compra do banco CTT.
Sobre a morte de Pedro Ferraz, administrador financeiro do BCI, do qual o BPI detém uma participação, João Pedro Oliveira e Costa lamenta o sucedido, sublinhando que, além da perda de um excelente profissional, "perdeu um amigo" e acrescenta: "Ele gostava muito de Moçambique e demonstrava essa paixão, bem como manifestava vontade e entusiasmo em continuar no banco."
O banqueiro crê que Pedro Ferraz não teria algum caso em mãos que possa ser relevante para a investigação às circunstancias da sua morte.
As declarações foram proferidas na apresentação de resultados de 2025, ano em que o BPI registou lucros de 512 milhões de euros, menos 13% do que em 2024.
A atividade em Portugal contribuiu com 489 milhões de euros, enquanto as participações no BFA e no BCI deram contributo de 22 milhões de euros, sendo que a operação no mercado moçambicano obrigou à constituição de um conjunto de imparidades no valor de 34 milhões de euros.
O CEO garantiu que o banco não tem necessidade de novas garantias, mas adiantou que, se o Estado disponibilizar mais garantias para jovens no crédito á habitação, o banco vai continuar a aceder a essa possibilidade.
No geral, o crédito à habitação no BPI subiu 35% com novas contratações a atingir os 3,9 mil milhões de euros, o que corresponde a uma quota de mercado na produção de 15,1% e a carteira de crédito à habitação cresceu 13%, atingindo os 17,2 mil milhões de euros.
No que respeita ao crédito às empresas, a carteira cresceu 3%, para os 12,4 mil milhões de euros, suportada pelo impulso das PME - que aumentaram 10%, atingindo os 6,8 mil milhões de euros.
O BPI garantiu ainda que não vai aumentar as comissões em 2026. Essas totalizaram 307 milhões de euros, uma queda de 6% face a 2024, valor influenciado por uma operação 'one off' realizada há dois anos.
Já o produto bancário ascendeu a 1,2 mil milhões de euros, o que representa uma descida de 8% face a 2024. A margem financeira diminuiu 10%, para 875 milhões de euros, explicada pelo 'repricing' do crédito com indexantes inferiores aos de 2024, refletindo as taxas de juro de referência determinadas por parte do BCE.
