Cabaz alimentar alcançou valor mais alto dos últimos quatro anos: "Expectativas não são animadoras"

Artur Machado (arquivo)
À TSF, o porta-voz da Deco Proteste indica que a curgete é o único produto que já teve um aumento de preço que pode estar relacionado com as tempestades, mas há outros que podem seguir o mesmo caminho
O preço do cabaz alimentar alcançou o valor mais alto dos últimos quatro anos, de acordo com os cálculos da Deco Proteste, que antecipa aumentos significativos nas próximas semanas por causa das tempestades que têm afetado o país.
Nuno Pais Figueiredo, porta-voz da Deco Proteste, indica, em declarações à TSF, que há um dos 63 alimentos que compõem o cabaz que está diretamente relacionado com o temporal das últimas semanas.
"Nesta última semana, o cabaz assumiu o valor mais alto de sempre em quatro anos. E dos produtos que constam no aumento, apenas um podemos associar quase de forma direta ao mau tempo. Não vou dizer que passou porque o mau tempo ainda está aí e ainda não parou, mas, por exemplo, a curgete foi um dos alimentos que mais disparou de preço nas últimas duas semanas, com particular incidência para esta semana, e é um dos produtos que vêm da região Oeste do nosso país, que são os principais não só produtores como distribuidores, e podemos, eventualmente, associar este aumento exponencial da curgete a esse facto", explica.
No entanto, o porta-voz da Deco Proteste salvaguarda que "a maior parte dos produtos que tiveram um aumento mais acentuado" não têm uma "causa direta" na intempérie, ainda que "as expectativas" não sejam "propriamente animadoras".
Numa semana, a curgete teve um aumento de 84 cêntimos e é muito provável que outros produtos sigam o mesmo caminho.
"Estamos a falar, essencialmente, de alimentos que fazem parte do nosso dia a dia. Estamos a falar de legumes, de fruta, enfim, tudo aquilo que é produzido em grande escala na região Oeste deste país ou está danificado, porque muitos produtores perderam a produção que tinham, ou sobra muito pouco, ou, outro pormenor que fará toda a diferença, muitos poderão estar com vias de acesso limitadas", refere.
Nuno Pais Figueiredo complementa: "Permite que aconteça um aumento em cascata, digamos assim, porque, se estão isolados, precisam de transporte e o transporte mais longo para chegar ao destino. Logo, se o transporte é mais longo, o valor do combustível será depois aplicado no produto final. Portanto, não só pelo dano provocado por produtos que se estragaram, porque depois passa a haver menos oferta também e mais procura, e depois também, obviamente, os combustíveis e tudo o que ainda é associado."
O porta-voz da Deco Proteste adianta que, desde 2022, quando a Deco Proteste começou a monitorizar o cabaz essencial, o aumento é "aos solavancos", mas, desde o início deste ano, pelo menos passou "a ser constante: é sempre a aumentar".