Combustíveis: preço para passageiros não vai aumentar, mas empresas querem ser compensadas

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Antrop espera pelos próximos dias para saber se se mantém a subida dos combustíveis
Caso o aumento dos combustíveis continue, a Associação Nacional de Transportes de Passageiros (Antrop) quer ser ressarcida dos seus prejuízos. Para dar conta da sua preocupação e tentar encontrar soluções, a direção daquela associação já reuniu com a secretária de Estado da Mobilidade.
"Cerca de um terço dos nossos custos operacionais totais dizem respeito aos custos dos combustíveis e apenas este primeiro aumento representou um encargo superior a 5% dos custos totais", salienta o presidente da Antrop. Luís Cabaço Martins sublinha que os transportadores públicos "não têm qualquer tipo de defesa".
"Não podemos repercutir o aumento de custos nos nossos clientes, a população que transportamos, pela simples razão de que não somos nós que definimos as tarifas", lembra. O preço é determinado pelo Estado, através das autoridades de transportes, "que são basicamente os municípios". "Portanto, está-nos vedada qualquer tipo de compensação por via do aumento do preço", garante.
O responsável da associação esclarece que os transportadores também estão sujeitos a contratos "muito exigentes" que obrigam a cumprir o serviço público, "independentemente dos custos com a execução desse serviço". "Aquilo que dissemos ao Governo, que se mostrou recetivo, é que é importante encontrar uma solução para apoiar as empresas de transporte enquanto durar esta crise", afirma Cabaço Martins, admitindo que, por enquanto, têm de ser "razoáveis e ter bom senso", porque o aumento dos combustíveis dura há três dias.
"Estamos a deixar passar algum tempo para ver se esta situação vai continuar e estamos a trabalhar com o Governo numa solução", garante. No entanto, adianta que a próxima semana será decisiva. "É importante o que vai acontecer nesta sexta-feira, quando saírem as cotações que definirão a variação dos preços para a semana seguinte", esclarece.
"Nessa altura, diria que é o ponto fundamental para avançarmos com uma medida de apoio, caso a situação se mantenha", sugere.
"Aquilo que nós pedimos ao Governo é que nesta diferença entre aquilo que é uma variação normal, que ocorreu nos últimos dois ou três anos, e aquilo que são variações extraordinárias, este diferencial seja compensado e as empresas possam ser ressarcidas" , considera.