Culpa é da IA: smartphones e computadores portáteis vão ficar mais caros no próximo ano

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Em declarações à TSF, Francisco Jerónimo, vice-presidente para a área dos aparelhos portáteis da IDC, refere que o aumento de preços deve-se a uma "crise" na produção de memória, que está a ser "desviada" para a Inteligência Artificial. As marcas mais baratas são aquelas que devem sofrer mais subidas
Os smartphones e os computadores portáteis vão ficar mais caros a partir do próximo ano. É o resultado de uma "crise" na produção de memória, que está a ser "desviada" para a Inteligência Artificial (IA), bem como da falta de componentes e do aumento dos custos de fabrico. Em declarações à TSF, Francisco Jerónimo, vice-presidente para a área dos aparelhos portáteis da IDC, uma empresa consultora em tecnologias de informação e transformação digital, afirma que a subida de custos é inevitável.
"Aquilo que tem acontecido nas últimas semanas é uma escalada de preços muito significativa num dos componentes, que é crítico nos telefones, nos smartphones e nos computadores portáteis, bem como outros aparelhos: a memória e a storage de SSD. Estamos a falar de uma escalada muito grande que vai ter um impacto no preço final dos telefones e dos computadores portáteis que compramos no dia a dia", explica à TSF Francisco Jerónimo, sublinhando que as marcas mais baratas são aquelas que devem sofrer mais subidas no preço.
"Marcas chinesas, como, por exemplo, Oppo e Xiaomi, tendem a ter uma estratégia de margens baixas para poderem também oferecer produtos a preços mais baixos. Essas marcas vão necessariamente ter de aumentar o preço, não têm qualquer hipótese de continuar a operar sem passarem esse preço para o consumidor final", afirma.
Já a Apple ou a Samsung "têm mais margem de manobra e, por outro lado, também operam de uma forma diferente". "Também têm uma capacidade de aquisição de componentes muito maior, o que leva a que, pelo menos nos próximos quatro ou cinco meses, tenham capacidade de continuar a fornecer e a fabricar os seus produtos ao preço atual", refere o vice-presidente para a área dos aparelhos portáteis da IDC.
A culpa é da falha de produção de memória: "Os principais fornecedores deste tipo de componentes e os principais fabricantes estão a realocar a grande maioria da sua capacidade produtiva para memória, que é dedicada aos servidores que correm neste momento Inteligência Artificial. Essa realocação é devida a uma margem de lucro muito superior, porque estamos a falar de memória com muito mais capacidade, a um preço mais alto, com margens mais altas, que leva a que haja uma escassez a nível da memória fornecida e fabricada para a eletrónica de consumo normal do nosso dia a dia", acrescenta.
Para os consumidores, Francisco Jerónimo aconselha a antecipar a compra dos aparelhos móveis ou ajustar os planos de pagamento.
Já Luís Correia, professor do Instituto Superior Técnico, também ouvido pela TSF, alerta que o problema da escassez de materiais tem vindo a agravar-se e vai levar a um aumento dos preços não só dos smartphones, mas também de computadores, sensores e outros dispositivos. O especialista em telecomunicações sublinha que os preços só voltam a baixar se alguns países levantarem as restrições que existem ao acesso a estes materiais.
"Voltar ao passado no sentido de deixar de haver restrições ao acesso à tecnologia, ou pelo menos a muita da tecnologia, como existia até há alguns anos, em que não havia problemas nos países onde os circuitos eram fabricados, isso permitirá baixar os preços, porque isso tem contribuído para que os preços aumentem", sublinha.