Declarações de Vítor Constâncio não vão ter impacto nos mercados, dizem economistas
Os economistas Paulo Trigo Pereira e João César das Neves entendem que as declarações de Vítor Constâncio, que considera que não se pode excluir que Portugal venha a precisa de nova ajuda externa, não vão ter impacto nos mercados.
O economista Paulo Trigo Pereira entende que as declarações de Vítor Constâncio, que não exclui uma eventual segunda ajuda financeira a Portugal, não surgiram na altura certa.
Em declarações à TSF, este economista do ISEG lembrou, contudo, que os «mercados não reagem a este tipo de declarações», mas sim «essencialmente aos fundamentos da situação económica dos países».
Lembrando que Portugal não vai crescer em 2012 e provavelmente também não em 2013, Paulo Trigo Pereira entende que estas declarações «não afetaram muito o rating» e a situação de Portugal.
«Não é altura ideal para dizer isto publicamente, mas não acho que seja nada de muito grave. O que é fundamental é que haja uma redução do défice este ano e que prossigamos na consolidação orçamental. Se isso for feito, as nossas condições de financiamento vão melhorar definitivamente», adiantou.
O economista João César das Neves considera que Vítor Constâncio tentou dizer que «não devemos dramatizar se houver a necessidade de haver um segundo programa» de ajuda, uma vez que se for necessário não haverá problema de maior.
Para este economista da Universidade Católica, a ideia de Vítor Constâncio terá sido a de lembrar que ninguém pode garantir que não será precisa mais esta ajuda, uma declaração que, no entender de João César das Neves, não tem impacto nos mercados.
João César das Neves lembra ainda que a «única resposta honesta» à pergunta se Portugal vai necessitar de nova ajuda é «não sei», uma resposta que tem de ser dada pelo Governo e pelas organizações internacionais.
«A única resposta séria a esta pergunta é ninguém sabe porque faltam dois anos e ninguém sabe o que vai acontecer para o mês que vem. Com a descida dos juros, uma data de gente tem começado a dizer que 'já está resolvido', o que também é mentira, porque ninguém sabe», concluiu.