Com a TAP na listas das empresas a privatizar, o economista chefe da Agência Internacional que faz a avaliação do mercado financeiro da Aviação Civil (ASCEND), Peter Morris, avisa o governo para a "turbulência" que vai encontrar para vender a transportadora área nacional.
Peter Morris participou, esta quarta-feira, numa conferência em Lisboa sobre o impacto da privatização da TAP na economia, onde destacou os bons serviços da empresa em algumas áreas, alertando porém que não são suficientes para avançar neste momento para a privatização.
«Este é um mau momento para vender uma companhia aérea porque os resultados das linhas europeias não têm sido bons tendo em conta os primeiros quatro meses deste ano. Há muita incerteza e quando isso acontece, os investidores retraem-se», referiu.
Resta, por isso, encontrar investidores. E nesse ponto, sublinhou o economista chefe da ASCEND, a TAP tem trunfos na manga.
«A TAP tem alguns pontos fortes, especialmente as ligações com o Brasil e África. Isso é um atributo que outras companhias aéreas simplesmente não têm. Para além disso, serve vários pontos no Brasil, o que quer dizer que são mais de 50 por cento que estão em jogo na competição com a TAM, isso por exemplo é uma boa posição no mercado», destacou.
Peter Morris admitiu que as avaliações das agências de rating têm influência no negócio mas há outras variantes a ter em conta.
«Está tudo ligado mas penso que quem quiser investir numa companhia aérea será certamente um especialista na área. O problema é que neste momento na Europa, o mercado de companhias aéreas não está a fazer dinheiro», analisou.
«A indústria aérea está ligada ao PIB e ao crescimento, por isso é que mercados como o Brasil, China ou África são a esperança que pode brilhar no negócio das companhias aéreas», acrescentou Peter Morris.