João Cravinho: Se a Grécia renegociar a dívida, Portugal «devia explorar a fundo esta possibilidade» (vídeo)

Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens
O antigo ministro das Obras Públicas socialista diz que o Governo devia estudar a possibilidade de uma reestruturação da dívida. Em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, João Cravinho considera ainda que o BCE está a pressionar a Grécia, roubando legitimidade política aos estados-membros.
João Cravinho sugere que Portugal siga o exemplo da Grécia se os estados-membros da UE concordarem em reestruturar a dívida grega: «Se os nossos parceiros europeus admitirem que, de facto, isto tem lógica e faz sentido, eu acho que Portugal devia explorar a fundo esta possibilidade», considera o antigo ministro, que critica Passos Coelho: «O governo português tem a obrigação, em nome do interesse nacional, de estudar as diversas hipóteses», em vez de defender a situação atual.
O governo grego tem feito na última semana um périplo pela Europa, para convencer os estados-membros de que é possível uma reestruturação da dívida. Mas nos últimos dias, «as coisas complicaram-se inesperadamente» com a postura do BCE, que deixou de aceitar dívida pública de Atenas como garantia para o financiamento da banca grega.
João Cravinho entende que «o BCE não tinha a necessidade de fazer o que fez», considerando que a atitude de Frankfurt é de «gravidade extrema»: «Alguém que não é eleito, que não tem nenhum mandato democrático, sobrepõe-se a todos, dizendo: "quem manda aqui sou eu, e nem que eu tenha de expulsar a Grécia..."». Cravinho considera, por isso, que há uma «usurpação da legitimidade política de todos os estados membros» e que "não é a Democracia que realmente permite isto".
Em relação ao governo do Syriza, que tenta negociar com a UE uma solução para a dívida grega, João Cravinho entende que «não é um partido de extrema-esquerda» nem é um partido «que dê um pontapé na mesa das negociações mal lá chegue», mas pode romper com a lógica de austerida.