
Diana Quintela/Global Imagens
O prejuízo registado pelo banco, nos primeiros seis meses do ano, foi de 28,9 milhões de euros, o que compara com um lucro de 6,2 milhões de euros em igual período de 2014, anunciou a instituição detida pela Associação Mutualista Montepio Geral.
Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o banco adianta que esta evolução reflete dois efeitos: "a melhoria de 157,6 milhões de euros dos resultados recorrentes" e a "redução em 192,7 milhões de euros nos resultados das operações financeiras, que atingiram 114,9 milhões de euros, devido ao menor contributo dos resultados da alienação de títulos de dívida pública portuguesa".
A Caixa Económica Montepio adianta que para a melhoria dos resultados recorrentes contribuiu o aumento de 1,4% da margem financeira comercial, que resultou do crescimento do crédito concedido às empresas (excluindo construção) e do 'repricing' ao nível dos recursos de clientes, tal como a política de contenção ao nível dos gastos operacionais da atividade doméstica (+0,7%).
"Este efeito compensou a redução do volume de negócios, decorrente da lenta recuperação da economia nacional ainda instável e que se reflete na redução de 3,8% do crédito líquido a clientes e de 4,9% das comissões líquidas", refere a instituição.
O ativo total líquido recuou 0,9% para 22.146,8 milhões de euros e o crédito a clientes líquido diminuiu 3,8% para 14.920,2 milhões de euros, "determinado pelo desempenho da atividade doméstica (-4,3%), já que a nível internacional se verificou um aumento de 22,3%", refere a instituição.
O comportamento da carteira de crédito a clientes nos primeiros seis meses do ano, explica o Montepio, "reflete a contração do crédito imobiliário (-8,5%) e o crescimento do crédito a empresas, excluindo construção (+ 4,7%)".
Relativamente à qualidade da carteira de crédito, o banco destaca uma melhoria de 0,45 pontos percentuais do rácio do crédito em risco para 13,37%.
"Não obstante essa evolução, é de referir que o crédito vencido a mais de 90 dias em função do crédito total se fixou em 7,47% em linha com o setor, quadro que reflete o prolongamento do contexto económico desfavorável da economia portuguesa ainda com reflexo na materialização do risco de crédito", adianta.
A cobertura do crédito vencido acima de 90 dias é de 118,7. A imparidade do crédito reduziu-se em 43% para 151,3 milhões de euros, sendo que no mercado doméstico a redução foi de 44,6%.
A instituição destaca a sustentabilidade dos níveis de liquidez. "No que se refere à liquidez, salienta-se a estabilidade da carteira de depósitos de clientes particulares (-0,3% face a junho de 2014) e uma amortização das responsabilidades apresentadas por títulos de 546 milhões de euros, evidenciando uma gestão ativa das necessidades líquidas de refinanciamento", refere.
O Montepio registou um aumento de 28.000 clientes em junho, face a igual mês do ano passado, e uma subida de 12.000 nos primeiros seis meses do ano.
O presidente executivo do Montepio, José Félix Morgado, afirmou à Lusa que a instituição tem a "ambição de ser um dos bancos mais eficientes do sistema" e que deverá regressar aos resultados positivos a "muito curto prazo".