Novo Banco. Valores esperados este ano "são elevados", mas "contas fazem-se no fim"

Filipe Amorim / Global Imagens
Presidente do Fundo de Resolução entende que vender 'o elefante na sala' foi importante para Portugal sair do 'lixo' das agências de "rating".
Luís Máximo dos Santos, vice-governador do Banco de Portugal (BdP) e presidente do Fundo de Resolução, aceita que a injeção de capital esperada mais uma vez pela administração do Novo Banco tem "valores elevados". No entanto, em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, avisa que "as contas fazem-se no fim".
No ano passado, o Fundo de Resolução já injetou 791 milhões de euros no Novo Banco, dos quais 430 milhões de euros emprestados pelo Estado.
Este ano, o banco liderado por António Ramalho antecipa mais 726 milhões de euros. E, para esse efeito, o Governo reservou 850 milhões de euros no Orçamento do Estado para 2019, caso seja mesmo necessário emprestar o dinheiro.
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Máximo dos Santos diz compreender a dimensão desses valores, mas não quer fazer balanços precipitados. "As contas finais da operação só podem considerar-se no momento em que a participação do Fundo de Resolução for também ela vendida, porque, naturalmente, essa participação vai ter um valor, e quanto melhor nessa data estiver o banco maior será o valor dessa participação", ressalva. "Isso significará que a estas contribuições teremos depois de deduzir o valor do encaixe que o Fundo de Resolução terá".
O Fundo de Resolução, que se financia através de contribuições da banca e empréstimos do Estado, ficou com 25% das ações do Novo Banco, na sequência do processo de venda aos americanos da Lone Star.
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Venda do 'elefante na sala' ajudou Portugal a sair do lixo
O vice-governador do BdP entende ainda que "se, por hipótese, não houvesse esta venda [do Novo Banco], outros custos emergiriam bastante".
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"Todos nós temos de ter em conta que se isso não tivesse acontecido, estas subidas de "rating" da República e um olhar bastante mais positivo do conjunto do nosso sistema financeiro certamente não se verificariam, porque teríamos aqui um elefante na sala que estava sem solução", entende Máximo dos Santos.
A operação de venda "constituiu um marco importantíssimo para a evolução do sistema financeiro português", acrescenta.
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O vice-governador do BdP reconhece ainda que o Novo Banco "tem um legado pesado" e está sob pressão regulatória para reduzir o crédito malparado, que pressionam a gestão, mas afirma que a instituição liderada por António Ramalho "tem feito o seu caminho".