"Pode levar a más interpretações." Anúncio de Miranda Sarmento sobre crescimento do PIB aquém da ambição foi "desastrado"

Joaquim Miranda Sarmento
Rodrigo Antunes/Lusa
Em declarações à TSF, Filipe Grilo, professor da Porto Business School, ressalva que esta não é uma questão "para os portugueses ficarem preocupados". Afirma, contudo, que as palavras do governante podem ter implicações na "própria previsão" do Orçamento do Estado de 2026, bem como na negociação
O economista Filipe Grilo considera "desastrado" o anúncio do ministro das Finanças sobre o crescimento da economia portuguesa aquém da ambição do Governo, alertando que pode "levar a más interpretações".
Joaquim Miranda Sarmento descuidou-se pelo menos no timing e na forma como disse aquilo, porque pode levar até a más interpretações
Em declarações à TSF, o professor da Porto Business School acredita que não há motivo para preocupação, apesar de as declarações de Miranda Sarmento poderem indicar o contrário.
"Crescer 2% até mais do que se espera fica aquém da ambição, é preciso crescer 3 ou 4%. Isto era o que Miranda Sarmento queria dizer", esclarece.
Filipo Grilo defende que a expressão parece dar a indicar que os últimos dados do turismo podem ter ficado "abaixo da previsão". A forma como fez o anúncio, diz, pode até ter implicações na "própria previsão" para o Orçamento do Estado de 2026, assim como na negociação.
"Foi um pouco desastrada a forma como ele disse, porque poderia levantar muitos problemas nesse sentido. Não me parece que seja uma questão para os portugueses ficarem preocupados", ressalva, insistindo que, tendo em contra o timing, o governante poderia estar a emitir um "sinal perigoso".
O ministro das Finanças reconheceu esta quinta-feira que o nível de crescimento da economia portuguesa está aquém da “ambição” do Governo, mas sublinhou que o desempenho é superior ao da zona euro no contexto de incerteza global.
“O nosso crescimento tem sido de 2% ou superior a 2%, o que ainda está abaixo do objetivo, da ambição do Governo, mas continua a ser bastante superior à média da zona euro”, referiu no encerramento da conferência “Portugal’s position in a changing global order” (“A posição de Portugal numa ordem global em mudança”), realizada na Nova School of Business and Economics, em Carcavelos, Oeiras.
O Produto Interno Bruto Português (PIB) cresceu 1,9% em 2024 e, nesse ano, ficou acima dos 1,8% projetados pelo Executivo. No entanto, no primeiro semestre deste ano desacelerou, progredindo 1,7% em termos homólogos, e no segundo trimestre cresceu 1,9% face ao mesmo período do ano passado.
O desempenho nos primeiros seis meses está abaixo do objetivo anual do Executivo, tendo em conta que a projeção anual de crescimento do PIB é de 2,1%, segundo o valor inscrito no Orçamento do Estado para 2025.

